segunda-feira, 23 de julho de 2012

Manter o coração ainda batendo...


Ando meia desencantada com o amor, depois de tantos ensaios fico a pensar no que busquei e encontrei desde que resolvi acabar um casamento de tantos anos...ai recebo um texto da Martha Medeiros que faz uma relação entre o amor e a guerra, quando compara os veteranos da guerra desfilando em filmes americanos, uniformizados em suas cadeiras de rodas apresentando suas medalhas e também suas amputações.

E não é que também me vejo também nesse desfile...e tantas mulheres que conheço também!
“ Se o amor e a guerra se assemelham, poderíamos imaginar também um desfile de mulheres sobreviventes desse embate no qual todo mundo quer entrar e poucos conseguem sair – ilesos. Não se perde uma perna ou braço, mas muitos perdem o juízo e alguns até a fé.

Depois de uma certa idade, somos todos veteranos de alguma relação amorosa  que deixou cicatrizes. Todos. Há inclusive os que trazem marcas imperceptíveis a olho nu, pois não são sobreviventes do que lhes aconteceu, e sim do que não lhes aconteceu: sobreviveram à irrealização de seus sonhos, que é algo que machuca muito mais. São os veteranos da solidão.

Há aqueles que viveram um amor na juventude que terminou cedo demais, seja por pressa, inexperiência ou imaturidade. Casam-se, depois, com outra pessoa, constituem família e são felizes, mas dói uma ausência do passado, aquela pequena batalha perdida.

Há os que amaram uma vez em silencio, sem se declarar, e trazem dentro do peito essa granada que não foi detonada. Há os que se declararam e foram rejeitados, e a granada estraçalhou tudo por dentro, mesmo que ninguém tenha notado. E há os que viveram amores ardentes, explosivos, computando vitórias e derrotas: saem com talhos na alma, porém mais fortes do que antes.

Há os que preferem não se arriscar: mantém-se na mesma trincheira sem se mover, escondidos da guerra, mas ela os alcança, sorrateira, e lhes apresenta um espelho para que vejam suas rugas e seu olhar opaco, as marcas precoces que surgem nos que, por medo de se ferir, optaram por não viver.

Há os que tem sorte do amor tranquilo: foram convocados para serem os enfermeiros do acampamento, os motoristas da tropa, estão ali para servir e não para brigar na linha de frente, e sobrevivem sem nem unha quebrada, mas desfilam mesmo assim, vitoriosos, porque foram imprescindíveis ao limpar o sangue dos outros.

Há os que sofrem quando a guerra acaba, pois ao menos tem um ideal, e agora não sabem o que fazer com um futuro de paz.

Há os que se apaixonam por seus inimigos. A esses, o céu e o inferno estão prometidos.

E há os que não resistem até o final da história: morrem durante a luta e viram memória.

Todos são convocados quando jovens. Mas é no desfile final que se saberá quem conquistou medalhas por bravura e conseguiu, em meio ao caos, às neuras e as mutilações, manter o coração ainda batendo.”

Em qual dessas relações você já passou ou está vivendo?

Me impressiona a quantidade de homens que não percebem que vivem uma relação de amor e guerra, e fazem de conta que está tudo bem, mas ao virar a esquina vivem uma outra relação paralela, traem suas mulheres num piscar de olhos, enganam-se mutuamente e preferem ao longo da vida não encarar a relação que há muito deixou de existir.

Viva as mulheres que tem coragem de mudar e começar uma outra história, desfilando com força e determinação em busca de novos horizontes.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Arte do desapego e entrega

            Desde que voltei para o Brasil tenho estado com pessoas vivendo processos parecidos de desilusões amorosas e grandes decepções, sei que não é fácil viver nessa dor e conseguir sair dela sem se machucar mais ainda, sem tambem machucar outras pessoas.
Fala-se muito na teoria do desapego, desapegar-se de objetos é fácil mas de sentimento é um processo longo e muitas vezez traumático...as vezes dura anos, as vezes passa rápido, mas necessário viver o tempo de luto e dor para assim transcender...
Buscando respostas para minhas inquietações, para meu processo de desapego recebi esse texto de presente de uma amiga virtual:
"Como é difícil se desapegar de alguém que a gente ainda ama, mesmo sabendo que essa pessoa não está mais ligada em nós. Sentimos falta de meras manifestações de saudades, afeto, atitudes e palavras que expressam claramente como: "eu preciso de vc" ou , "sinto sua falta", ou ainda, "queria estar com vc agora".
Acho que não tem sensação pior do que sentir que está sobrando na vida de alguém e que aquela pessoa está em outra sintonia.

Com certeza o diálogo é a melhor opção para esclarecer tudo. Mas existem relações e pessoas que não conseguem se abrir, pessoas que não assumem o que sentem e bloqueiam todo tipo de conversa a respeito.
As vezes, até já tentamos nos desligar e nos afastar, mas a outra parte insistiu em reatar, por segurança ou por algum motivo que não dá para adivinhar, uma vez que ela não diz o que sente ao nosso respeito, e então, nós, como amamos, lá fomos de novo achando que era um possível sinal de amor e tudo caiu no silêncio novamente.

Você está se envolvendo em algum relacionamento que já deu o que tinha que dar ? Talvez seja o momento de findá-lo, de permitir que aquela pessoa que já teve grande sentido em sua existência(ou ainda tenha), vá agora participar de outras relações, e esta é a beleza da vida: nos encontramos com as pessoas, trocamos, e depois nos desligamos, para ficarmos abertos a outros relacionamentos.
É claro que não é fácil, sinto nas veias a dor dessa dificuldade, pois na maioria das vezes caímos em baixa estima por isso, como algo velho, usado, que não serve mais. Engano nosso !

Devemos lutar com afinco para vencer esses torturantes e negativos pensamentos. Temos que manter a lucidez do seguinte pensamento: - Essa pessoa me faz feliz ? - Nessa relação está claro o amor e o quanto um faz falta para o outro ? E aí vem a objetividade, ou seja, se as respostas forem negativas e se vc não vai conseguir conversar sobre isso abertamente, está na hora de colocar um fim na dúvida e no sofrimento.
Se não é para amar e se sentir amado, então não vale a pena estar com alguém.
Se você está nessa, uma coisa é certa, você  vai sobreviver !
Entregue seu coração nas mãos de Deus. Ama. Confia.
Supera e Segue !"

Lindo não???
Espero um dia aprender a superar esses momentos dificeis e tão atuais.
No mais...


                "A alma também tem sua virgindade e deve sangrar um pouco antes de dar frutos."




terça-feira, 17 de julho de 2012

Salvador - terra de contrastes, alegria e magia

Xande, que bom que está bem disposto e quem sabe vem agora passear por cá...Salvador cresceu muito nesses ultimos anos, é hoje umas das maiores capitais brasileiras, com uma populaçõa de 2.480.790 (censo de 2010) e muitos problemas sociais, como todo o país e a nossa querida América Latina.
Essa semana saiu uma pesquisa que indica como sendo uma das piores capitais do Brasil para se morar, com muitos casos de falta de segurança, um trânsito de enlouquecer, ruas e avenidas sujas, bairros precisando de saneamento básico, em meio a tantas demandas um governo ineficaz e incopetente.
Mas ainda  é o melhor lugar para ficar, afinal é aqui onde estão minha família, amigas, casa e aquele calor baiano que você um dia conheceu.Possui  defeitos, muitas dificuldades, mas felizmente paisagens, praias, comidas e festas que deixam todos com vontade de ficar para sempre.
Lembra dos casarões antigos e suas baianas com traje tipico?
O Pelourinho, no passado era o bairro das familias ricas, depois foi sendo abandonado, as famílias foram migrando para bairros mais modernos, restando um casario que foi se deteriorando com o passar do tempo, há poucos anos foi considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, sofrendo reformas e voltando a ser habitado por outras familias, se tornando um ponto forte de turismo.
Quando estive morando em Moçambique senti falta de muita coisa e pessoas daqui, mas
a comida...affff...ficava salivando só de pensar...lembra da Moqueca de Peixe e de Camarão? E do Acarajé com Vatapá???
São comidas típicas da bahia, herança do povo africano que aqui chegou um dia, comidas feitas com óleo de dendê e muito leite de côco...tudo de bom!!!
Na praia sempre alguém gritando:
"Quem vai querer picolé? Picolé Capelinha...manga, cajá, umbú, siriguela, mangaba, goiaba, côco, amendoim..." E a gente corre atrás do homem, logo ele acaba o estoque...entre cores e sabores, é preciso aliviar a fome e o calor! Delícia...delicia...
Aqui o profano convive harmoniosamente com o sagrado...de dia festa na igreja, lavagem de escadarias com cantigas e preces( e aja igreja para lavar, na verdade não sei quem inventou essa história de lavar as escadarias e depois virar festa), depois começam os tambores e lá vem o trio elétrico...e como diz um cantor baiano: atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu!
Lembra da festa do Sr.do Bonfim? Caminhamos tanto, rezamos, dançamos e depois mais caminhada para chegar em casa...aja bolhas nos pés, naquela época podíamos tudo, éramos tão jovens e sonhavámos em abraçar o mundo!
Hoje minha vida está começando de novo aqui nessa terra que precisa ser gloriosa, muitas expectativas diante do novo que se anuncia e feliz demais pela quantidade de coisas que aprendi com o povo moçambicano...tolerância, paciência, amor ao próximo, religião e um jeito de ser muito parecido com o povo baiano.
Feliz por saber de ti...feliz por saber que logo pode estar aqui.
Mesmo longe vai poder acompanhar meus passos por aqui.
Segundo Mia Couto, escritor moçambicano
 ‎"A história de um homem é sempre mal contada. Porque a pessoa é, em todo tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos e transmutáveis homens.
Agora, quando desembrulho minhas lembranças eu aprendo meus muitos idiomas. Nem assim me entendo. Porque enquanto me descubro, eu mesmo me anoiteço, fosse haver coisas só visíveis em plena cegueira."
Um abraço caloroso já que na sua terra faz tanto frio!






segunda-feira, 2 de julho de 2012

Preciso de um abraço...


Sempre gostei de um abraço, de dar  e receber um bom abraço, daqueles que fazem a gente vibrar por dentro, que fazem esquentar a alma e o coração pular em grandes ondas. Não é a toa que criaram um movimento pelo mundo para que as pessoas se abraçassem, quantas não estão sozinhas sem tem alguém para abraçar ou abraça-las?

Segundo um escritora brasileira, Martha Medeiros, o melhor lugar do mundo está dentro de um abraço...

“Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

(...) O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está  tudo dito.

Não é que ela tem razão sobre a magia que contém um abraço... “Onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje quero alforria...” Preciso mesmo é de um grande e forte abraço...sentir a energia boa e assim estar forte para mais uma jornada que se inicia!
Um super abraço das minhas novas amigas Bel e Guel...saudades desse dia que foi tão especial!

Beijo bom para vc que adoro abraçar...mesmo que virtualmente!


sábado, 16 de junho de 2012

OTHAWENE TIMPUANHIA APAJERA WAMUETELO



Esse é um provérbio em Macua, que significa
                                         LÁ NO HORIZONTE ENCONTRA-SE UM NOVO COMEÇO.
Pensando assim retornei a minha terra, com muita esperança de construir um novo tempo, um novo começo de vida após tantas aprendizagens no continente africano. Agora estarei longe de outras pessoas que conheci por lá e que aprendi a amar de uma forma especial, Inácio Lino,Sifa, Essa,Natija,Júlia, Mina,Vania, Abdul, Chaisson, Guima, Edrisse, Sive, Claudio, Jotamo, Francisco, Bel, Mussa,Fernanda, Lucas, Faisal, Muna, Daniel, Sol, Alê, Chiquinho, Leo, Paulo, Sabina, Norton,Maria, Silvia, André, Zito e tantos moçambican@s, portugueses e brasileir@s que conheci e conviví durante esse tempo.
 Um grande e valioso obrigado por todo o apoio na minha trajetória!
                               O EMBONDEIRO/BAOBÁ
Sempre admirei as varias histórias e mitos em torno do embondeiro/baobá e não poderia sair sem reverenciar vários...
  Esse fica na praia de Chocas...lá deixei gravado um pouco da minha história e um pedido para que eu volte um dia a esse lugar!
Na nossa morada tinha esse gigante. Daqui sentimos a força e a coragem que pulsa em seu tronco, galhos, folhas, flores e frutos...
Nossa árvore "Cota"!
Reza a lenda que os africanos arrancados da sua terra pelos senhores de escravos, tinham que dar 7 voltas em torno do embondeiro, no sentido contrário do relógio, para que esquecessem das suas origens e nunca mais encontrassem o caminho de volta para casa. Assim fiz ao contrario, dei 7 voltas no sentido horário para que nunca esquecesse desse tempo, para que guardasse o que de bom aprendi nessa terra e que assim pudesse retornar sempre que tivesse vontade.
                                         Um grande abraço de luz para você!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Como nasce uma escritora

                                                  Menina Lendo, Vladimir Ezhakov ( Rússia, 1975)

Essa semana li esse texto postado por uma menina linda que meu filho está namorando...é incrivel percebermos como a história se repete, os anos se passaram, a tecnologia invadiu o dia a dia das pessoas,mas felizmente ainda existe quem goste e se delicie com o simples prazer de ler um livro...fiquei tão encantada que resolvi publicar aqui:


“Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
 Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

 Compre para ela outra xícara de café
Diga o que realmente pensa sobre Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.

 Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

 Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

 Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

 Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

 Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.” (via: Nathália Lima)
Me vi nesse texto...quantas vezes ganhei livros, quantas vezes preferia estar lendo um bom livro do que ir para baladas...e quantos livros bons li quando estive ai em Moçambique, de Mia Couto e Paulina Chiziane...contos, lendas e casos veridicos...depois foi começar a escrever, adoro escrever principalmente para você, que mesmo dizendo que escrevo muito...lê o que escrevo.
Nesse dia em especial, deixo aqui um super abraço de agradecimento pelo seu carinho, cuidado e atenção...sabe que hoje estou escrevendo para ti.
Bjo bom de grande e eterno carinho, sabe que conheceu uma menina-mulher que adora escrever!!!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Matse Wonéla" - água transparente


“O mundo quer ser visto antes que houvesse olhos para ver, os olhos da água, o grande olho das águas tranquilas, olhava as flores que se abriam (...) e é nesse reflexo que o mundo tomou, pela primeira vez, consciência de sua beleza (...) É preciso aprender a interagir com o mundo, saber interrogar as formas passantes a fim de que possamos perceber que todas são animadas pelas forças viajadoras do universo. É preciso sonhar muito para se apreender a alma de uma água tranquila” (Bachelard)
É preciso estar em  paz para apreciar e desfrutar da luz do Indico nas terras de cá, não canso de presentear-me a cada amanhecer com seu azul degradê, que nos acaricia os olhos e nos faz crer que ao silenciar o coração usufruímos disso tudo com muito mais alegria e certeza das escolhas que fazemos por estar tão longe de casa.
Esse foi um dia abençoado...pude captar a transparência e calor das suas águas, recarregando as baterias para iniciar uma semana de muito trabalho e tantas despedidas...daqui a pouco estarei de volta para o meu país!!!
Mas levarei muitas, muitas lembranças boas daqui...principalmente da cor dessa águas e do sorriso transparente desse povo!!!


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Parte 2- OHISUWELA, ONLIKANA N’OKHWA - Não saber, é como morrer.(provérbio macua)


 (Fotos do Festival)

A mulher macua exerce muitos papéis na sociedade, mas o mais incrível é perceber a sua força e coragem para enfrentar as dificuldades, procuro sempre entender o valor que tem em meio a cultura local e num dia de participação no Festival Cultural na cidade de Nacala foi possível observá-las mais de perto, no cuidado consigo e com os filhos, bem como a cumplicidade que ambas tem...praticamente uma irmandade feminina, tão unidas em torno das cantigas, danças e rituais do seu povo macua.

“M´MAKHUWA (macua) tem a sua origem em mitos que nos remetem para o monte Namuli como lugar originário primordial, situado na serra do Gurué, a norte da província da Zambézia e numa das explicações etimológicas encontra-se a expressão: o povo mais selvagem.

É uma sociedade cultural sui generis, com crenças e costumes que se praticam não só nas aldeias como no meio urbano e se estenderam como práticas frequentes a todo o país. Quanto à distribuição do poder, na sociedade macua, cada parte da linhagem tem a sua própria autoridade, designada por ATATA, tio matrono, ou seja, o irmão mais velho da mãe de um determinado EGO, o qual é, por isso, o chefe de um grupo de unidades uterinas.

O conjunto de todos os ATATA tem um decano, que é o chefe de escalão imediatamente superior, o chefe da linhagem, chamado NIHUMU. Ele é a autoridade do conjunto das partes de uma determinada linhagem, que forma a primeira unidade social macua chamado NLOKO.

Paralelamente ao chefe de uma povoação existe a figura da mulher mais importante, chamada APWIYAMWENE. Normalmente, esta mulher não exerce diretamente a autoridade. Ela é uma espécie de conselheira, com papel de grande relevo na sociedade e nos ritos, ela é a irmã uterina mais velha de um determinado chefe.

A APWIYAMWENE representa o ventre da linhagem, que, detendo o poder, é a garantia da conservação da tradição. Para além de uma série de requisitos que vão de acordo à conduta moral e social idealizada e determinada o MWENE é escolhido pelo corpo eleitor do seu chefado que é formado pelos chefes das linhagens (MAHUMU) locais. É no entanto porém a APWIYANWENE «a mulher mais importante» que dá o parecer decisivo Esta figura anciã feminina surge assim sempre ao lado da entidade do chefe MWENE, cujo cargo se pode traduzir com várias denominações: rainha, mulher mais importante, primeira conselheira.

 O seu papel é de facto supremo e merece uma análise detalhada. Veja-se etimologicamente: «A» prefixo plural da 1ª classe à qual pertencem as pessoas; trata-se, aqui, de um plural majestático e de respeito; «PWIYA» - senhor/a; «MWENE»- chefe, rei, máxima autoridade Assim, o sentido etimológico da palavra poderá ser compreendido como: «a mais importante das mulheres da sociedade ao lado do chefe». Ela representa o «ventre» original da linhagem, sendo, por isso, considerada a «mãe das mães». Cumpre o papel de medianeira do povo e de garantia do futuro da sociedade.

As suas funções exercem-se na vida sócio-política: como alta conselheira , deve sempre ser consultada pelo chefe no governo da sociedade, na administração da justiça e nos ritos. A APWIYAMWENE desempenha um papel ativo de primeira ordem na vida ritual, especialmente nos ritos de iniciação feminina e nos sacrifícios tradicionais.”


Fonte de informação: O povo Macua e a sua Culturae

segunda-feira, 26 de março de 2012

Esperança, um novo gesto...um novo olhar!

Viver aqui  em Nacala me faz crer que desfruto a todo instante de um novo renascer, diante de tantas demandas é sempre possível encontrar um olhar de esperança no povo daqui, na perspectiva que estamos todos os dias plantando uma nova semente e que daí vão nascer bons frutos...De ter  possibilidade de refazer cada ação e tranformar em novas ações, de compreender uma cultura tão complexa e ao mesmo tempo tão singular no seu jeito de ser, de poder estar inserida num emaranhado de cheiros, odores, cantigas e danças faz me crer que vivemos aqui diariamente um MILAGRE...o que parece impossivel torna-se possível, é como minha mãe santa do Brasil me disse quando soube que eu vinha para África " minha filha lá você estará na terra dos nossos Deuses e Deusas, bebendo diretamente da fonte, aproveita e aprenda tudo para nos contar..." Assim vou aprendendo a cada dia, como alguem um dia disse:
Milagre é quando tudo conspira contra, mas Deus vem de mansinho e com um sopro leve muda o rumo dos ventos. Milagre é quando o incerto nos abraça depois de nos atingir cruelmente com sua fúria. É quando respirar vira quase um suspiro de alívio e a vida devolve o sorriso como forma de retribuição por todo o sofrimento. É o instante teimoso que resiste bravamente a um duro percurso e mantêm-se em pé amparado pela força divina. É a decisão  que escapa de nossas mãos, mas que antes de cair agarra-se em pé amparado pela força divina. É a decisão que escapa de nossas mãos, mas que antes de cair agarra-se com toda força a uma segunda chance . Milagre é o improvável gesto de carinho que impulsiona o ser humano a não deixar de acreditar.
Que o brilho do sorriso possa nos devolver sempre a força que precisamos ter para enfrentar as adversidades e tristezas que nos afrontam a cada dia, que nos desafiam a querer desistir quando queremos é mais ficar e apostar em dias melhores.
Beijo bom para você meu doce amor, meu Deus Ébano, trazido pela lua e águas do Indico,  Inacio Magaia Abdul, você que acompanha as emoções que vivo por aqui a cada instante, que procura entender as lágrimas que correm a cada emoção experenciada...

“Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
 estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças..."
 ( Carlos Drummond de Andrade – Mãos dadas).
                         E de mãos dadas quem sabe um dia, vejamos o nascer do dia mais feliz!
       O amor que senti em sua terra foi maior que tudo que vivi em outro lugar!


                                            OTHAWENE TIMPUANHIA APAJERA 
                       ( LÁ NO HORIZONTE ENCONTRA-SE UM NOVO COMEÇO)


segunda-feira, 12 de março de 2012

O Povo Macua ( MAKHUWA)- Parte 1

Desde que cheguei aqui em Moçambique procuro conhecer um pouco da cultura do povo macua, conversando com um ou outro, buscando informações em livros e textos aos pouco vou compreendendo a resistência dessa etnia à colonização portuguesa e depois a guerra civil que passaram. Tem uma língua materna forte, uma relação com a espiritualidade e sexualidade muito curiosa e que nos deixam, nós ocidentais, perplexos diante da organização social que estão inseridos, passando seus valores e costumes de geração em geração.
O povo macua vive, atualmente, numa grande área do Norte de Moçambique, com cerca de 300.000 km², que abrange parte das províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia. Com uma população em torno de 3.500.000 habitantes, constituem 35,6% da população total de Moçambique, sendo o grupo étnico mais numeroso do País.
É um povo rico em histórias e provérbios curiosos:
NTATA NIMOSA KHINNINYAWIHA – Uma mão só não consegue lavar-se.
OKHALA NIMPONI WETTA ELI – Ser testemunha é andarem dois juntos.
EYANO EMOSA KHENATHAMALA OSIVA MATHAPA – Uma boca só não pode saborear a comida.
"O povo macua sente-se profundamente unido ao conjunto da natureza e de maneira especial às suas forças vitais. Na sua cosmovisão considera a vida (EKUMI) como o eixo da roda da existência e como a meta para a qual todos os homens caminham e para onde todos os indivíduos e  a comunidade regressa, pois dali saíram um dia. Por consequência, tudo o que possa desenvolver e enriquecer a vida é considerado um valor fundamental; ao invés, tudo aquilo que, na sociedade, de alguma maneira, a possa ofuscar ou destruir, é considerado como uma desgraça, um mal e contra valor fundamental."
Praticam rituais para cada fase ou evento da vida, todos ligados ao nascimento, morte, aos seus antepassados, com sacrifícios para cada momento e novas obrigações.
Água aqui é artigo raro e muito disputado
Construção típica
Os pequenos sempre estão agarrados a mãe...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Estar aqui...

Hoje faz um mês que sai da minha cidade querida e vim para cá...Nacala, um cantinho perdido no mapa de Moçambique. Foi um mês intenso de muito trabalho, muitos aprendizados e descobertas dificeis, lidar com essa realidade aqui é saber e crer que temos tanto para oferecer, carinho, atenção, escuta ativa, paciência e tolerância, afinal lidamos com a falta de tudo...mas o que me deixa mais feliz é ver nos olhos do povo de cá uma esperança tão grande e uma fé em dias melhores.
 Assim vale a pena prosseguir, mesmo com o coração cheio de SAUDADES e tantas inquietações.
Escrevo para você que nunca mais me escreveu...escrevo para você que já não sabe mais de mim porque estive ausente daqui, mas agora vou me organizar para levar até você uma história que está começando, dessa vez com uma "malta" super linda e cheia de vida!
Aquele abraço de muita saudades,

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Catadora de conchas...



É sempre uma grande surpresa encontrar com as conchas e conchinhas que a maré do Indico nos traz, como adoro caminhar pela praia sou surpreendida com uma variedade imensa de espécies, de cores e tamanhos diversos, elas me fazem lembrar do livro “Presente do Mar” de Anne M. Lindbergh, onde a autora faz uma analogia entre as conchas marinhas e os aspectos da vida humana.
Logo que cheguei aqui a todo instante me lembrava desse livro, pois de repente me vi como se estivesse numa ilha, afinal ando de um lado ao outro e encontro o mar...e para mim estar numa ilha sossegada é um momento mágico de você poder se encontrar com você mesma, a princípio dei um longo  mergulho na melancolia e depois na apatia, vivia num ritmo frenético na cidade grande e pude aqui desacelerar, apreciando uma beleza que  só estando sozinha  é possível de se notar... o silêncio do vento, o barulho das ondas, o cheiro do mar, o sabor salgado do ar e simplesmente se aquietar nesse som que nos convida a ficar, e nessa quietude foi possível espreguiçar na areia, de forma exposta, aberta, sentindo seu calor e permitindo que a maré pudesse apagar as marcas do passado para assim poder viver outras histórias.
A cada caminhada um presente chegava até a mim...conchas de todos os tamanhos, cores e tipos...numa variedade de encher os olhos, a concha pera, onde um dia algum molusco já morou em seu interior, seu formato é de uma pêra, que se enrola num leve espiral até o ápice. Fico a imaginar quem a habitou e de que forma transitava com ela através dos mares. É tão bela na sua forma circular, perfeitos contornos branco amarelado. Me faz lembrar o tempo que passei me desapegando da minha casa e quando tive coragem de deixa-la pois precisava respirar novos ares, como o molusco, um dia parti da minha casa, uma vez para estudar, outra vez para casar e outra para descasar, agora para morar aqui...num grande esforço olho para o exterior dessa concha e para o meu interior, onde um dia um caranguejo eremita ousou deixa-la, onde um dia uma menina ousou mudar sua vida.

Não é fácil romper, partir é inevitavelmente doloroso, mesmo que seja por pouco tempo. E de repente me vi sem poder me locomover com a liberdade que havia conquistado um dia. Mas na medida que fui me adaptando pude estar aqui mais por inteira, assim vou aos poucos me locomovendo, é como se ao partir tivéssemos perdido uma perna, mas depois como a estrela do mar, ela cresce novamente. Sinto que estou muito mais inteira agora, em harmonia, muito mais do que antes, quando as outras pessoas tinham apenas parte de mim. “ Se não estamos em contato com nós mesmos, não podemos estar em contato com os outros”.
Assim lembro da concha- lua, com círculos em espiral se enrolando para dentro até seu núcleo pequenino, momento de focar no centro, no meu núcleo, de solitude, buscando forças em meu interior para resolver as demandas do exterior, as tantas solicitações em que passamos hoje para enfrentar o mundo competitivo do trabalho e sua relação na nossa vida pessoal.
Minha coleção de conchas vai crescendo e a cada caminhada, bons presentes chegam até a mim...imaginar que a dupla - aurora um dia foi única, quando seu molusco se foi ela se dividiu em duas partes, as vezes ficando presa por uma só parte, outras de desprendendo totalmente, ambas as partes são idênticas, quantas vezes na vida não temos que nos dividir em duas para atendermos a demandas diferentes?
Nesta semana que estou retornando para casa pude novamente apreciar minha pequena coleção que pretendo um dia levar para o Brasil, por enquanto ficará aqui a minha espera, deixo-as num canto para me lembrarem de cada momento que vivi aqui nesses 6 meses...
Longe de casa e agora tão perto das muitas histórias que fui vivendo nesse lado do Oceano Indico...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Onde a história de Moçambique começou


Finalmente  cheguei a Ilha de Moçambique, depois de 3 tentativas frustradas fui nesse domingo...Daqui de Nacala fica mais ou menos 180 km, uma estrada tranquila e boa de viajar. Atravessamos uma ponte de 4 km bem estreita, quando se está num sentido é preciso esperar os carros do sentido contrário,  a comunicação é precária, como tudo aqui, os guardas não avisam que já liberou um lado e ai já viu...temos que recorrer a paciência...mas enfim chegamos a Ilha.
Travessia para a Ilha
Praça Luis de Camões
Cores dasqui
Quando pensamos na África vem logo à imagem de animais e muita pobreza, não vi ainda esses animais e a pobreza bate na nossa porta diariamente, mas nada diferente do que temos no Brasil e nos países da América do Sul.

Artezanato local


Assim vou me surpreendendo a cada passada que dou por aqui, a ilha tem um conjunto arquitetônico fabuloso, são muitas construções antigas que guardam a história do local. Fui beber na fonte num Museu local, com um guia muito falante do português com forte sotaque “macua” ,  sabendo assim da importância desse local.

Beira Mar


A ilha antes dos portugueses chegarem já servia de entreposto para os comerciantes árabes. Só no século 16 foi que tomaram posse da ilha e construíram uma gigante Fortaleza, dando o nome de São Sebastião em homenagem ao rei de Portugal. Até meados do século 19 foi capital de Moçambique, perdendo esse status para Maputo.


Museu da Ilha

Aqui tem registros da passagem de Vasco da Gama em 1498 e do Poeta Camões, que se refugiou um tempo escrevendo seus sonetos e que são boas referências aos poetas dos dias de agora.

Andar por suas ruas é se defrontar com casas em ruínas, praças mal cuidadas, por descaso das autoridades e também pelas intercorrências naturais, como um ciclone que passou em 2003 arrasando ainda mais esse patrimônio. Mesmo com todo esse estado de caos ainda é possível se encantar por esse cenário selvagem e belo ao mesmo tempo...


É também conhecida como a “cidade das pedras”, no lugar onde foram tiradas as pedras para erguer a Fortaleza e as casas mais ricas, sobrou um grande buraco onde mais tarde foram erguidas a “cidade de macuti”, nome dado ao material feito com folhas de palmeira e usado para erguer as casas populares.
Com toda essa diversidade de construções, pude observar a calma dos ilhéus, seus trajes coloridos e o jeito de nos receber sempre com um sorriso largo e uma forma boa de dizer: “seja bem vinda”.

Há também um rico artesanato e uma culinária típica, a base de peixes, mariscos e condimentos indianos, árabes e portugueses. Nesse cenário de cores e sabores pude desfrutar de tamanha riqueza histórica e cultural num país africano...É sempre uma boa surpresa cada vez que me proponho explorar os arredores onde estou a morar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Incrível...são Baleias?


Aqui no norte de Moçambique, nos meses de Julho a Novembro, somos surpreendidas pela elegância do mergulho das baleias, tomo café e almoço sendo surpreendida por 40 magníficas toneladas, distribuídas por 16m de pura elegância, que me convidam para um mergulho. São as Jubartes ou Corcunda ou Bossa (como são conhecidas aqui)!
 Um espetáculo de fazer inveja aos baianos de Praia do Forte, quando vão ao encontro das baleias e nem sempre elas aparecem. Junto, então, o útil ao agradável. Deixo que minhas energias sejam absorvidas pelo fascinante espetáculo. Iniciou minha manhã de trabalho, sem que eu mesma tenha dado conta...

 As baleias de bossa (Megaptera novaeangliae) apertam-se na costa moçambicana, entre Julho e Novembro. O Arquipélago das Querimbas, Inhambane, Bazaruto, Nacala e outras ilhas, são os seus locais predilectos. Também designadas Baleia Jubarte, no Brasil, Baleine à Bosse, em Francês, e Ballena Jorobada, em italiano, elas medem entre 14 e 18 metros e pesam entre 33 e 45 toneladas. Assim, são reconhecidas entre as maiores baleias dos oceanos, pelos saltos espetaculares e pelos batimentos das barbatanas caudais e peitorais. Agora ficamos sempre a espera de ver seus esguichos no mar...é muito lindo vê-las de tão perto!
As baleias, assim como os golfinhos, são cetáceos. Do Latim, Cetus (grande animal marinho) e do grego, Ketus (monstro marinho). Porém, estes animais nada possuem que os caracterize como monstros, com exceção do seu tamanho descomunal. Mamíferos como nós humanos, possuem uma longevidade até 77 anos, necessitam de vir à superfície para respirar, e têm ainda uma estrutura social complexa, com “linguagens” próprias, ainda não totalmente compreendidas pelos cientistas.
As baleias de bossa que visitam as costas moçambicanas alimentam-se de Krill (um pequeno camarão), nas águas frias da Antárctica. Migram, depois, milhares de quilómetros, para as regiões de reprodução. Normalmente, elas escolhem as águas quentes. No período da migração não se alimentam. Eventualmente, a sua opção pelas águas quentes para reprodução, têm a ver com a abundância de predadores. As Orcas. Outro fator associado é o fato de as crias nascerem com muito pouca gordura e, consequentemente, muito dificilmente conseguiriam regular a sua temperatura nas águas frias da Antárctica.
Provavelmente, será possível observar estas e outras baleias em qualquer ponto da costa moçambicana. Um passeio ao longo da costa , uma curta travessia de barco, uma saida de pesca desportiva, oferecem excelentes oportunidades de observação. Porém, torna-se importante notar que as Baleias de Bossa preferem águas profundas durante as migrações. Os locais da costa moçambicana onde mais depressa se atingem profundidades (mais de mil metros), são os locais com as maiores possibilidades de observação. Note-se, no entanto, que as baleias com crias, principalmente com crias de alguns dias ou semanas, podem ser observadas em baías pouco profundas, especialmente, no norte de Moçambique, aqui em Nacala, estão sempre a nos agraciar com seus saltos...Fui nadar no mar...mas não tive coragem de vê-las de perto, melhor apreciar seus saltos, esguichos bem de longe...e olhe que o salto pode variar de uma imersão completa para fora da água, a uma aparição vagarosa, em que, pelo menos, metade do corpo emerge. Apesar das numerosas explicações, o salto continua um mistério. Seria uma pura manifestação de cortejamento? Uma forma de comunicação por sinais? Ou o desalojar de parasitas? Porque não equacionar uma manifestação de força ou um desafio, ou quem sabe, simplesmente uma brincadeira? Melhor pensar que é uma simples brincadeira e respeitá-la no seu espaço de estar! MAGNÍFICAS!!!


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lembranças da minha Bahia

Retornar para minha terra querida após quase 3 meses foi uma alegria muito grande, poder diminuir as saudade e rever tanta gente querida...uma amiga perguntou o que eu levaria para Moçambique no meu retorno, respondi: "Todo o carinho que recebi, que me fortalece a cada despedida e muitas paisagens e gostos que pude saborear esses dias!" Assim deixo um poquinho disso tudo aqui para você também curtir...




Sentir a boa energia que vem da água...

Tomar banho no Farol da Barra

Chupar o melhor picolé: Capelinha de amendoin, cajá, umbu, mangaba, côco...
Se empanturrar  de Acarajé, com vatapá, caruru e camarão!


Tomar roskas com grandes amigas!!!

Celebrar a vida com meus amados amigos...

Comer bolinho de peixe no Souza


Tomar o melhor refri com meus filhos...




Curtir o dia nesse paraiso chamado de Praia do Forte
Passear pela Orla de Itapuan
Almoçar com a Familia...tudo dekicioso!
Admirar aquele Por do Sol na Barra...



Tudo isso não tem preço
Só uma grande Gratidão
Como nos fala o grande Mia Couto: " O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora."
E o bom da vida é saber que sempre podemos estar de volta...

,                                                              FLANANDO EM ESSEPÊ                                                           ...