segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A NATUREZA DE VIDA - MORTE - VIDA DO AMOR



O Verdadeiro Relacionamento Amoroso
Clarissa Pinkola Estés, no seu livro "Mulheres que correm com os lobos"a e especificamente na 

história intitulada: A Mulher-Esqueleto, fala que o ser humano para viver em harmonia com os 
outros, nas suas relações de afeto, é preciso enfrentar o que ele mais teme, foge e que não 
tem como escapar – A natureza de vida-morte-vida do amor. Essa história é verdadeiramente 
a história de caça a respeito do amor.
Gostaria de ressaltar que nas histórias de Clarissa, existem materiais que podem ser 
compreendidos como um espelho refletindo tanto a doença quanto a saúde da nossa própria 
vida interior – da nossa psique.
Segundo a autora, para cada relação de amor duradoura, um terceiro parceiro se faz presente 
nessa união, quer queiramos ou não. Esse terceiro parceiro é justamente a mulher-esqueleto ou como 
ela é chamada: A Morte. Contudo, a morte não é um mal como é conhecida no Ocidente –
nessa apresentação ela é uma divindade.
Essa mulher-esqueleto precisa ser acolhida pelos dois amantes para criar um amor duradouro. 
Nessa relação ela sabe exatamente quando algo precisa morrer ou quando um ciclo precisa 
fechar para que outro surja. Quando olhamos e abraçamos a mulher esqueleto, vemos que o 
amor não é algo que vamos “obter”, mas sim algo gerado em ciclos de morte e de vida com 
seus fluxos e refluxos.
Nos dias atuais, observamos nas relações de amor justamente esse medo da natureza da vida-
morte-vida, especificamente do aspecto morte. Qualquer que seja o final, o ser humano teme 
e esquece que num único relacionamento amoroso existem muitos finais.
Outro aspecto importante é que numa relação amorosa passamos boa parte do tempo 
fingindo que podemos amar sem que morram nossas ilusões, expectativas, a voracidade de 
querer tudo, de querer que nada mude e de querer que tudo permaneça lindo no amor. A 
tentativa de querer forçar o amor somente no seu aspecto positivo é o que faz com que o 
amor acabe morrendo para sempre.
Para Clarissa, amar significa emergir de um mundo de fantasias para um mundo real, onde o 
amor duradouro é possível. Amar significa ficar com, mesmo quando cada célula manda fugir. 
E nossa tendência é fugir dos relacionamentos no momento em que verdadeiramente 
conhecemos o outro, quando vemos seus limites e suas fragilidades ou mesmo quando o 
prazer sexual diminui. Mas é nessa hora em que algo precisa morrer – nossas ilusões – para 
que o novo possa nascer: o verdadeiro amor. E é nesse momento também que perdemos a 
oportunidade de demonstrar coragem e de conhecer o amor.
Quando num relacionamento amoroso, por ventura, chega o momento onde as coisas ficam 
complicadas, embaraçadas, receamos que o fim esteja próximo. Isso é um equivoco. Esse é só 
um ciclo que precisa morrer e é preciso encarar de frente a mulher-esqueleto, pois ela esta 
presente na relação, o vinculo já esta formado – Ainda bem!

O amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos. Deixamos uma fase, um aspecto do amor e entramos em outra. A paixão morre e volta, a dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços – todos no mesmo relacionamento.
Palavras de Clarissa: “Para amar é preciso não só ser forte, mas também sábio. A força vem do espírito. A sabedoria, da Mulher-esqueleto” e com um poema da mística mexicana Rosario Castellanos:

…dadme La muerte que me falta…
…dá-me a morte que preciso…

Texto original de Gianini Ferrari (Psicóloga Clínica )

TEMPO...QUE TEMPO É ESSE?



Semana de fechamento de mês, de fechamento de ciclo, de encerrar histórias para assim quem sabe começar um novo tempo afinal  a esperança por tempos melhores anda a diminuir em função de uma realidade cada vez mais difícil de encarar...como acreditar no outro quando o que percebemos é mesmo um mero engano nas ações e palavras de promessas por tempo melhores...assim recebo esse texto de um grande poeta argentino, escrita numa época de gritos em prol da liberdade de expressão. Que possamos refletir sobre o que temos, o que conquistamos e o que precisamos ter para assim continuar a nossa caminhada: 

                 INSTRUÇÕES PARA ESQUIVAR O MAU TEMPO

Em primeiro lugar, não se desespere e em caso de agitação não siga as regras que o furacão quererá lhe impor.
Refugie-se em casa e feche as trancas quando todos os seus estiverem a salvo.
Compartilhe o mate e a conversa com os companheiros, os beijos furtivos e as noites clandestinas com quem lhe assegure ternura.
Não deixe que a estupidez se imponha.
Defenda-se.
Contra a estética, ética.
Esteja sempre atento.
Não lhes bastará empobrecê-lo, e quererão subjugá-lo com sua própria tristeza.
Ria ostensivamente.
Tire sarro: a direita é mal comida.
Será imprescindível jantar juntos a cada dia até que a tormenta passe.
São coisas simples, mas nem por isso menos eficazes.
Diga para o lado bom dia, por favor e obrigado.
E tomar no cu quando o solicitem de cima.
Dê tudo o que tiver, mas nunca sozinho.
Eles sabem como emboscá-lo na solidão desprevenida de uma tarde.
Lembre que os artistas serão sempre nossos.
E o esquecimento será feroz com o bando de impostores que os acompanha.
Tudo vai ficar bem se você me ouvir.
Sobreviveremos novamente, estamos maduros.
Cuidemos dos garotos, que eles quererão podar.
Só é preciso se munir bem e não amesquinhar amabilidades.
Devemos ter à mão os poemas indispensáveis, o vinho tinto e o violão.
Sorrir aos nossos pais como vacina contra a angústia diária.
Ser piedosos com os amigos.
Não confundir os ingênuos com os traidores.
E, mesmo com estes, ter o perdão fácil quando voltarem com as ilusões acabadas.
Aqui ninguém sobra.
E, isto sim, ser perseverantes e tenazes, escrever religiosamente todos os dias, todas as tardes, todas as noites.
Ainda sustentados em teimosias se a fé desmoronar.
Nisso, não haverá trégua para ninguém.
A poesia dói nesses filhos da puta.
Paco Urondo (1930 – 1976) foi escritor, jornalista, poeta, militante político e guerrilheiro argentino.


Que a força do tempo seja capaz de virar páginas, trazer paz ao mundo, alegria ao coração e beleza a alma que anda cansada de lutar por dias melhores.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Paixão pela quietude

  Tem dias que você só quer silêncio e quietude...quando o interno pede sossego e o externo insiste em bagunçar a ordem, quando as dúvidas de que caminho escolher são maiores do que as respostas que encontra a tantas questões, quando o ser que você ama está num ritmo tão acelerado que não percebe que o seu momento é de pura e interminável aquietar-se.
   No meio dessa minha terna paixão por querer estar quieta, recebo de presente esse texto que traduz em palavras pensamentos e desejos, que me inspira a ter escolhas diante do estar ou não em uma boa companhia.
   Um presente que o universo trouxe para mim e que compartilho com você!

    Conversar, filosofar e fazer amor… tudo com a mesma pessoa: a trilogia perfeita 
                                                                                                                     Ana Macarini -
 9 out, 2016
Poder ficar em silêncio na presença de alguém é dessas bonitezas da vida que só a mais delicada intimidade pode trazer. Aquele átimo de tempo suspenso, em que a respiração do outro nos acalma, o calor ou a frescura da sua pele nos apazigua e a presença é inteira, doce, querida. A quietude amorosa entre dois amantes é a comunhão das almas depois do encontro dos corpos.
Há, de fato, momentos em que as palavras são desnecessárias, descabidas, intrometidas, até. Mas… ahhhhh como é bonito ver nos olhos de alguém um interesse vivo e autêntico pelo que temos a dizer. Como é preciosa a sorte de encontrar alguém que veja naquilo que dizemos algo que ilumine, inquiete, provoque, derrube certezas, desperte. É preciso que haja amor nos silêncios e também nos barulhos.
Somos todos barulhentos, afinal. Mesmo os mais silenciosos, quietos e introvertidos, têm dentro de si milhares de ruídos a serem interpretados. Às vezes, acordamos cheios de inquietações profundas, outras vezes são palavrinhas leves e sorrateiras que querem sair de nós e ganhar o mundo. E ainda que sejamos apaixonados pela quietude, quando temos algo a dizer, sonhamos com a companhia de alguém que nos ouça, de alguém que nos ajude a pensar em voz alta, de alguém que nos ajude a traduzir as inúmeras línguas que habitam a nossa “Torre de Babel” particular.
E as palavras, essas criaturinhas inquietas e dúbias, antes de serem palavras já foram seres mais alados e voláteis que elas próprias. Antes de serem palavras, essas meninas travessas já foram pensamentos. Pensamentos são ainda mais fugazes que as palavras, podem nos abandonar sem aviso, caso não recebam de nós alguma genuína atenção. Os pensamentos voam, como voa o tempo quando estamos nos braços de alguém que nos ame e a quem amemos de volta.

Encontrar nesse vasto e confuso mundo alguém que se apaixone por filosofar com a gente é tão raro quanto lindo. Dar ao pensamento as merecidas asas e deixar que as asas nossas toquem de leve as asas alheias, a fim de dar vida aos devaneios e interpretações das coisas profundas e tolas, é uma magia tão poderosa, mas tão poderosa, que uma vez experimentada não nos permite voltar a algo menos intenso ou mais óbvio.
Compartilhar desejos e fantasias, tão físicas quanto emocionais, é tão forte quanto cálido. Oferecer ao corpo a possibilidade de partilhar o afeto que aquece e o prazer que arrepia, a fim de dar vida a sensações esquecidas, é da esfera das coisas místicas, e loucas, e belas, que tendo feito parte uma única vez de nossa existência, faz acordar na gente a alegria que nos desperta de um sono sem sonhos.
Conversar, filosofar e fazer amor… tudo com a mesma pessoa, é uma trilogia perfeita. É daqueles presentes embrulhados em caixas inesperadas, envoltas em papel colorido e brilhante. Eu tenho direito a isso, você tem direito a isso, a moça caminhando sozinha na praia, o homem sentado sozinho no meio do caminho… todos nós temos direito a isso. É preciso acreditar na possibilidade desse sonho bonito se converter em realidade. É preciso estar desperto para reconhecer de olhos fechados que, isso sim, é uma relação afetiva de verdade.
SIGAMOS...NA BUSCA...NA BELEZA DE ENCONTRAR SENTIDO NAS PEQUENAS E SIMPLES COISAS DA VIDA!


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Ferida da alma...dores do corpo.

                                       "Cura-nos das dores do corpo e das aflições da alma"


Adoro ser mulher...sentir no corpo as sensações de crescer e amadurecer para a vida...possuir sensibilidade para relacionar-se comigo e com o outro...intuição para fazer escolhas e ajudar o próximo...poder gerar outra vida, alimentá-la e vê-la crescer independente...este  sim uma das maiores tarefas a nós designadas...mas chega um tempo que já não há mais por que procriar, os filhos cresceram e seu corpo dá sinais que já não é mais possível...quão triste me vi ao perceber que para a mulher esse tempo acaba mais rápido do que no sexo oposto, uma mulher engravida até no máximo  45 anos ( correndo risco) já o homem pode fazer filho até o final da sua vida, basta encontrar uma mulher mais jovem ...aí se cria aquela distância de direitos entre homem e mulher...uma insensata correlação de forças desequilibradas, você muda de parceiro, desiste do pai dos seus filhos mas não pode se apaixonar por alguém mais jovem, esse ser pode ainda querer ter filhos e você já não tem idade para isso, assim você desiste e resolve se apaixonar por um cara bem mais velho "quem sabe já está mais sossegado e sem esse dilema" e você novamente descobre que ele ainda quer ser pai( no fundo precisa provar que ainda é macho), novamente você se ver perdida num sonho de um outro que já não é seu e desiste.
Desiste de tentar encontrar alguém para amar, desiste de acreditar na possibilidade de amar novamente.
Mas o destino nos prega peças e lá estamos novamente a conhecer uma pessoa que enche seus dias de luz, que faz seus olhos brilharem e você dessa vez se convence que esse é o cara! Te fala que não quer mais filhos, está satisfeito com o que tem, e você acredita ser possível...mas um belo dia ele menciona a vontade de ter filho novamente, e mais algumas vezes até chegar ao limite de uma conversa que não tem mais para onde correr...a ferida do não poder mais procriar foi aberta novamente...aquela pessoa que você estava alimentando uma linda história de amor, te puxa o tapete, você pensa "deve ter achado alguém mais jovem e por isso voltou a ter essas ideias" e o filme embola, já não há mais caminho a ser trilhado, você perde a confiança...essa não pode ser a pessoa que você quer com você, já não há mais desejo de fazer planos...você se distancia! 
Descobre que sua ferida não está fechada...não foi curada!
Descobre que o mundo masculino tem objeções ao mundo feminino, que os homens cumprem seu papel de macho reprodutor quantas e infinitas vezes desejarem, afinal a mulher é que decide se quer ou não ser aquela que gesta um ser, que pode ou não ter um pai, mas com certeza terá a mãe, a que carrega, que nutri, que cria. Mas dessa vez já não é com você...no seu ventre já não há mais tempo para gestar...no seu íntimo cabe gestar outros projetos, outras realizações fora de ti.
Cabe então decidir sobre o que fazer com essa dor...

                                              Chico Buarque um dia escreveu:


"Não há dor que dure para sempre!

Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!
E apesar de saber de tudo isso. Por que algumas dores duram tanto?
Por que alguns sentimentos (diga-se de passagem os mais ridículos) demoram tanto a passar?
Por que olhar pra ele reaviva esperanças perdidas e suscitas lágrimas quentes até então contidas?
Por que o cérebro ainda não inculcou no coração que esquecer faz bem a saúde?
Por que tudo não pode ser como um bonito filme francês?"

Um poeta e sua mãe

Maio ficou para traz mas não poderia deixar de registrar o presente mais sublime que recebi do meu poeta amado,  meu filho mais novo!  El...