segunda-feira, 23 de maio de 2016

NOSSO LAÇO


Gosto de lembrar dessa imagem quando penso nos meus 3 amores  que um dia  pus no mundo.
Do laço que nos une, de amor, de sangue, de cumplicidade e amizade.
Assim seguimos...ora unidos, juntos a um objetivo, a um interesse comum, ora separados fisicamente mas unidos no laço que nos trouxe a vida.
Essa semana em festa...celebrando a chegada desse meu primeiro grande amor, que se fez menino-garoto-homem, grande parceiro na luta pela sobrevivência...lembrar do tempo passado é lembrar das traquinagens, risadas, conquistas e desafios vencidos. Também lembrar das noites de febres, tosses, viroses, quedas e arranhões. Estudos, notas, boletins, brigas e amizades cultivadas...

Bom poder falar sobre esse amor que nos une, dizer para todo o mundo ouvir do quanto crescemos e amadurecemos navegando nos nossos barcos, momentos juntos, momentos separados...mas um amor pra toda vida!

E trago Quintana e sua poesia sobre laço, abraço...



                                                                         O LAÇO E O ABRAÇO
                                                                                                 (Mário Quintana)

Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço...
uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? 
Vai escorregando...devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento.
 Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. 
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

FELIZ VIDA FILHO AMADO
FELIZ VIDA FILHOS AMADOS!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

DE SEN CANTAMENTO

"Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica, nem com balanças, nem barômetros etc...
Que a importância de uma coisa há que ser medido pelo encantamento que a coisa produza em nós."
                                                                                                                 (Manuel Bandeira)

Nossa vida se resume a um constante ir e vir de histórias, palavras, pessoas e situações. Há momentos que ficamos tão envolvidos no acontecimento que esquecemos o que se passa em torno, embevecidos ficamos que deixamos de perceber a realidade dos fatos e quando finalmente abrimos os olhos descobrimos que o encanto acabou...que o encanto foi substituído pelo vazio...
Vazio de emoções
Vazio de sensações que antes eram perfumes para a alma!
Vazio que começa a ser preenchido por uma tristeza muito grande...o que era euforia se torna calmaria.
O que era o olhar cúmplice se torna descaso...desprezo!
Hoje o dia amanheceu assim...sem sentido de te ver...querer...gostar!
Sem motivo de lutar por algo que se tornou  inalcançável, fútil, frívolo!
Te procurei em sonho e orações, mas não estava lá.
Te procurei nas esquinas, mas  só havia sombras perdidas.
Te procurei no passado e descobri mais descaso!
                   
E se não é por amar de forma inteira, de entrega...não há sentido essa procura, só encontraremos o NADA.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

AUSÊNCIA DE TUDO

Dia histórico para um país que escandalosamente vive golpes, roubos e muito desvio de dinheiro público...e o que o povo compreende sobre isso?
Até onde sabemos da verdade?
Até onde lidamos com as várias misérias humanas...miséria material e espiritual...amorosa e solidária.
Palavra que incomoda a todos: MISÉRIA!
E tanto já se escreveu...
E tanto já se lutou contra essa chaga que alimentamos.
Descubro textos sobre essa palavra, sou invadida por escritores que em épocas e tempos diferentes um dia escreveram brilhantemente sobre esse tema:
                       A miséria do meu ser
                                          (Fernando Pessoa)

                       A miséria do meu ser,
                       Do ser que tenho a viver,
                       Tornou-se uma coisa vista.
                       Sou nesta vida um qualquer
                       Que roda fora da pista.

                       Ninguém conhece quem sou
                       Nem eu mesmo me conheço
                       E, se me conheço, esqueço,
                       Porque não vivo onde estou.
                       Rodo, e o meu rodar apresso.

                       É uma carreira invisível,
                       Salvo onde caio e sou visto,
                       Porque cair é sensível
                       Pelo ruído imprevisto...
                       Sou assim. Mas isto é crível?

Pessoa...escreve sobre a pessoa, a miséria subjetiva, que dilacera a alma quando se perde de vista o seu SER.

Mia Couto nos revela:"
O que mais dói na miséria é a
ignorância que ela tem de si mesma.
Confrontados com a ausência de tudo,
os homens abstém-se do sonho,
desarmando-se do desejo de serem outros.
(Em Vozes Anoitecidas)


E nosso grande "velhinho" Saramago traz violentamente uma análise poética do estado em que se encontra o mundo...nosso país, nossa cidade, nosso povo sofrido:

"Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.


Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme."

E lembro do meu amigo que sofre numa fila do SUS para fazer uma cirurgia, e sofro ao lembrar que tenho outro amigo preso injustamente esperando uma oportunidade de ser julgado...ambos vítimas de um sistema miserável....como eles milhares passam necessidades num mundo que ignora uma realidade que nos ameaça dia-a-dia.
Pra silenciar no peito esse estado de miséria, de pobreza em todos os sentidos só lembrando do grande Caio Abreu, que prefere encerrar com a dureza das palavras um estado que tanto incomoda e nos imobiliza:
Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas.

Um poeta e sua mãe

Maio ficou para traz mas não poderia deixar de registrar o presente mais sublime que recebi do meu poeta amado,  meu filho mais novo!  El...