terça-feira, 22 de abril de 2014

Cota, Migo e seu tempo - Parte 1




Era uma vez um lugar encantado, cheio de histórias, luzes, cores e silêncio.
Esse lugar era povoado por seres fantásticos, talvez mágicos dada a curiosidade de entendê-los.
Por lá vivia Cota, uma mulher que trazia um sorriso que acolhia e um olhar que abraçava.
Por lá circulava pessoas vindas dos vários cantos...Cota os recebia com carinho e curiosidade.
Cota acreditava no poder das palavras e boas ações, que gentileza sempre gera gentileza e por acreditar tanto no outro tinha um coração maior que seus braços...por conta disso fez bons amigos que a ajudavam a transformar seus dias de silêncio em dias com música e poesia.
Num desses dias ela conheceu Migo, um rapaz bonito e cheio de mistério no olhar...por tempos ele  andou pelos cantos do lugar que Cota circulava...por tempos ele passou e nada disse só observou...

Um dia Migo procurou Cota e lhe chegou cheio de perguntas...queria viver o mundo de Cota e ela  o achou  belo nas suas intenções,ele lhe trouxe a filosofia do presente inesperado, ela lhe devolveu com música e afeto o seu presente.
Existia entre Cota e Migo um tempo que os separava, que os distanciava e isso deixou ela inquieta, queria entender o que provocou em Migo essa aproximação de tempos e desejos...seria um fetiche do mundo dos livros? seria a chegada do inesperado que faz estremecer o que está adormecido?
 Por um tempo quis entender até que desistiu, pois sabia que nem tudo pode ser explicado, no fundo Cota sabia que antes de tudo é preciso sentir para depois poder escolher, ela sabia que já não havia muito tempo para esperar, mas Migo não sabia disso e queria tempo...Migo já tinha também muitas questões, no sufoco de buscar em vão preferiu se recolher...Cota estranhou seu afastamento e foi buscar ajuda nos seres místicos, sabia que eles lhe trariam respostas!
Migo partiu para longe, precisava se recolher.


Cota buscou-o com promessas de presentes, mas foi em vão, não conseguiu trazê-lo de volta.
Migo lhe respondeu com uma pergunta: Cota o que quer com Migo?
Cota lhe respondeu:
- Migo, você me despertou de um sono profundo, fui buscar fôlego para acordar e encarar a passagem disso tudo...quero sim te conhecer mais, quero sim sair das minhas ideias e conceitos que me oprime e poder alçar voos discretos e verdadeiro com você. Quero poder te trazer para um mundo que habito e que pode sim fazer parte.
Essa é uma história sem final...ela se completa a medida que as horas passam...ela se refaz a medida que novos sopros são lhe dado pelo presente que é estar vivendo cada dia, único e possível na sua intensidade.
O tempo de Cota e Migo é o tempo que precisam e irão precisar pelo tempo afora.

O tempo é breve

Viver entre livros nos faz acreditar na magia das palavras, dos sonhos e muitas fantasias...ontem arrumando estantes  me chegou um livro, bem velhinho que me deixou curiosa pois não conhecia o seu autor e fui explorá-lo...abri aleatoriamente e me deparei com essa poesia:


" Tu me deixaste e seguiste o teu caminho.
Pensei que devia chorar por ti e guardar a tua imagem solitária em meu coração.
Mas, oh sorte má, o tempo é breve.

A mocidade estingue-se, ano depois de ano;
Os dias da primavera são fugitivos;
As flores murcham logo e o sábio avisa-me de que a vida reduz-se a um gota de orvalho na folha de loto.
Devo esquecer tudo isso para pensar em alguém que se afastou de mim?
Isso é duro e tolice pois o tempo é breve.

Vieram então as noites de chuva a pisarem nos telhados.
Sorri, meu outono dourado; vem abril descuidado, atirar seus beijos pelo mundo afora.
Vem tu, e tu, e tu também.
Meus amores, sabeis que sois mortais.
É sensato arrebentarmos o coração por alguém que vai embora?
Pois o tempo é breve.

É bom sentar em uma esquina e escrever em versos que todas são todo mundo.
Há heroísmo em afagarmos a nossa tristeza e resolvermos não aceitar consolo.
Mas uma face jovem aparece em minha porta e dirige seus olhos aos meus.
Limpo minhas lágrimas e mudo o tom do meu canto.
Pois o tempo é breve."

 RABINDRANATH TAGORE. Considerado um dos maiores poetas de todos os tempo, um grande místico hindu e pouco conhecido no Brasil. Esse texto pertence ao livro "Obras selecionadas: O jardineiro, Lua Crescente, Gintanjali e O Cisne".

Sua poesia me chega para responder inquietações, perguntas que não podem ser caladas...histórias por viver...de forma mística e surpreendente o universo traz respostas, basta só ter sensibilidade para percebe-las na sua sutileza, há palavras que devem ser ditas...outras sentidas...outras só com o olhar para poder expressá-las...lindo seu expressar...meu coração ontem dormiu alegre por ter te encontrado!


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Um dia para comemorar


Pensar que hoje uma pessoa tão especial na minha vida faz anos e já não posso dar lhe parabéns, estou proibida de falar, de dizer o quanto ela representou de importante na minha vida...praticamente me tornei gente com essa pessoa, maturei ao seu lado e ao seu lado montamos uma vida, criamos raízes, geramos sementes que deram bons frutos que agora trazem lírios de beleza e novos sabores a nossa vida. Me perdi de você...sonhava mais do que um sonho pequeno, voei para longe e te perdi na minha loucura de querer conhecer e experimentar novos gostos, de realizar novos desejos...você me libertou e eu fui longe, longe até demais...até onde já não podia enxergar onde estava...por toda a minha existência terrena lembrarei e agradecerei o que de bom vivemos...que um dia possamos olhar nos olhos e enxergar o que de bom  para ambos realizamos e agradecer...sempre!
Que possa ser FELIZ é o mínimo que te desejo...
No mais sigo a minha vida com poesia, arte e amor pelo que faço...conheço autores, poetas e novas pessoas que enriquecem os meus olhos com novos gostos...com música que adoça minha alma e meu coração...recentemente foi o Lêdo Ivo que chegou até mim, um escritor alagoano que faleceu em 2012 mas que deixou uma herança pra lá de bonita, ele chegou até mim através de um filósofo que entende de tudo um pouco, que com sua leveza resgatou um jeito de ser meu que estava cansado de lutar...assim me vejo liricamente envaidecida de poesia, de pensamentos maravilhosos sobre o viver o presente da melhor maneira possível...assim te deixo um pouco do que venho aprendendo...um pouco do que venho descobrindo:
O Coração da Liberdade
Estive, estou e estarei
no coração da realidade,
perto da mulher que dorme,
junto do homem que morre,
próximo à criança que chora.
Para que eu cante, os dias são momentâneos
e o céu é o anúncio de um pássaro.
Não me afastarei daqui,
da vida que é minha pátria,
e passa como as águias no sul
e permanece como os vulcões extintos
que um dia vomitam sono e primavera.
Minha canção é como a veia aberta
ou uma raiz central dentro da terra.
Não me afastarei daqui, não trairei jamais
o centro maduro de todos os meus dias.
Somente aqui os minutos mudam como praias
e o dia é um lugar de encontro, como as praças,
e o cristal pesa como a beleza
no chão que cheira à criação do mundo.
Adeus, hermetismo, país de mortes fingidas.
Bebo a hora que é água; refugio-me na estância
quando a aurora é mistura de orvalho e de esterco,
e estou livre, sinto-me final, definitivo
como o tempo dentro do tempo, e a luz dentro da luz
e todas as coisas que são o centro, o coração
da realidade que escorre como lágrimas.
(Linguagem, 1951.)

Um poeta e sua mãe

Maio ficou para traz mas não poderia deixar de registrar o presente mais sublime que recebi do meu poeta amado,  meu filho mais novo!  El...