terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Catadora de conchas...



É sempre uma grande surpresa encontrar com as conchas e conchinhas que a maré do Indico nos traz, como adoro caminhar pela praia sou surpreendida com uma variedade imensa de espécies, de cores e tamanhos diversos, elas me fazem lembrar do livro “Presente do Mar” de Anne M. Lindbergh, onde a autora faz uma analogia entre as conchas marinhas e os aspectos da vida humana.
Logo que cheguei aqui a todo instante me lembrava desse livro, pois de repente me vi como se estivesse numa ilha, afinal ando de um lado ao outro e encontro o mar...e para mim estar numa ilha sossegada é um momento mágico de você poder se encontrar com você mesma, a princípio dei um longo  mergulho na melancolia e depois na apatia, vivia num ritmo frenético na cidade grande e pude aqui desacelerar, apreciando uma beleza que  só estando sozinha  é possível de se notar... o silêncio do vento, o barulho das ondas, o cheiro do mar, o sabor salgado do ar e simplesmente se aquietar nesse som que nos convida a ficar, e nessa quietude foi possível espreguiçar na areia, de forma exposta, aberta, sentindo seu calor e permitindo que a maré pudesse apagar as marcas do passado para assim poder viver outras histórias.
A cada caminhada um presente chegava até a mim...conchas de todos os tamanhos, cores e tipos...numa variedade de encher os olhos, a concha pera, onde um dia algum molusco já morou em seu interior, seu formato é de uma pêra, que se enrola num leve espiral até o ápice. Fico a imaginar quem a habitou e de que forma transitava com ela através dos mares. É tão bela na sua forma circular, perfeitos contornos branco amarelado. Me faz lembrar o tempo que passei me desapegando da minha casa e quando tive coragem de deixa-la pois precisava respirar novos ares, como o molusco, um dia parti da minha casa, uma vez para estudar, outra vez para casar e outra para descasar, agora para morar aqui...num grande esforço olho para o exterior dessa concha e para o meu interior, onde um dia um caranguejo eremita ousou deixa-la, onde um dia uma menina ousou mudar sua vida.

Não é fácil romper, partir é inevitavelmente doloroso, mesmo que seja por pouco tempo. E de repente me vi sem poder me locomover com a liberdade que havia conquistado um dia. Mas na medida que fui me adaptando pude estar aqui mais por inteira, assim vou aos poucos me locomovendo, é como se ao partir tivéssemos perdido uma perna, mas depois como a estrela do mar, ela cresce novamente. Sinto que estou muito mais inteira agora, em harmonia, muito mais do que antes, quando as outras pessoas tinham apenas parte de mim. “ Se não estamos em contato com nós mesmos, não podemos estar em contato com os outros”.
Assim lembro da concha- lua, com círculos em espiral se enrolando para dentro até seu núcleo pequenino, momento de focar no centro, no meu núcleo, de solitude, buscando forças em meu interior para resolver as demandas do exterior, as tantas solicitações em que passamos hoje para enfrentar o mundo competitivo do trabalho e sua relação na nossa vida pessoal.
Minha coleção de conchas vai crescendo e a cada caminhada, bons presentes chegam até a mim...imaginar que a dupla - aurora um dia foi única, quando seu molusco se foi ela se dividiu em duas partes, as vezes ficando presa por uma só parte, outras de desprendendo totalmente, ambas as partes são idênticas, quantas vezes na vida não temos que nos dividir em duas para atendermos a demandas diferentes?
Nesta semana que estou retornando para casa pude novamente apreciar minha pequena coleção que pretendo um dia levar para o Brasil, por enquanto ficará aqui a minha espera, deixo-as num canto para me lembrarem de cada momento que vivi aqui nesses 6 meses...
Longe de casa e agora tão perto das muitas histórias que fui vivendo nesse lado do Oceano Indico...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Onde a história de Moçambique começou


Finalmente  cheguei a Ilha de Moçambique, depois de 3 tentativas frustradas fui nesse domingo...Daqui de Nacala fica mais ou menos 180 km, uma estrada tranquila e boa de viajar. Atravessamos uma ponte de 4 km bem estreita, quando se está num sentido é preciso esperar os carros do sentido contrário,  a comunicação é precária, como tudo aqui, os guardas não avisam que já liberou um lado e ai já viu...temos que recorrer a paciência...mas enfim chegamos a Ilha.
Travessia para a Ilha
Praça Luis de Camões
Cores dasqui
Quando pensamos na África vem logo à imagem de animais e muita pobreza, não vi ainda esses animais e a pobreza bate na nossa porta diariamente, mas nada diferente do que temos no Brasil e nos países da América do Sul.

Artezanato local


Assim vou me surpreendendo a cada passada que dou por aqui, a ilha tem um conjunto arquitetônico fabuloso, são muitas construções antigas que guardam a história do local. Fui beber na fonte num Museu local, com um guia muito falante do português com forte sotaque “macua” ,  sabendo assim da importância desse local.

Beira Mar


A ilha antes dos portugueses chegarem já servia de entreposto para os comerciantes árabes. Só no século 16 foi que tomaram posse da ilha e construíram uma gigante Fortaleza, dando o nome de São Sebastião em homenagem ao rei de Portugal. Até meados do século 19 foi capital de Moçambique, perdendo esse status para Maputo.


Museu da Ilha

Aqui tem registros da passagem de Vasco da Gama em 1498 e do Poeta Camões, que se refugiou um tempo escrevendo seus sonetos e que são boas referências aos poetas dos dias de agora.

Andar por suas ruas é se defrontar com casas em ruínas, praças mal cuidadas, por descaso das autoridades e também pelas intercorrências naturais, como um ciclone que passou em 2003 arrasando ainda mais esse patrimônio. Mesmo com todo esse estado de caos ainda é possível se encantar por esse cenário selvagem e belo ao mesmo tempo...


É também conhecida como a “cidade das pedras”, no lugar onde foram tiradas as pedras para erguer a Fortaleza e as casas mais ricas, sobrou um grande buraco onde mais tarde foram erguidas a “cidade de macuti”, nome dado ao material feito com folhas de palmeira e usado para erguer as casas populares.
Com toda essa diversidade de construções, pude observar a calma dos ilhéus, seus trajes coloridos e o jeito de nos receber sempre com um sorriso largo e uma forma boa de dizer: “seja bem vinda”.

Há também um rico artesanato e uma culinária típica, a base de peixes, mariscos e condimentos indianos, árabes e portugueses. Nesse cenário de cores e sabores pude desfrutar de tamanha riqueza histórica e cultural num país africano...É sempre uma boa surpresa cada vez que me proponho explorar os arredores onde estou a morar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Incrível...são Baleias?


Aqui no norte de Moçambique, nos meses de Julho a Novembro, somos surpreendidas pela elegância do mergulho das baleias, tomo café e almoço sendo surpreendida por 40 magníficas toneladas, distribuídas por 16m de pura elegância, que me convidam para um mergulho. São as Jubartes ou Corcunda ou Bossa (como são conhecidas aqui)!
 Um espetáculo de fazer inveja aos baianos de Praia do Forte, quando vão ao encontro das baleias e nem sempre elas aparecem. Junto, então, o útil ao agradável. Deixo que minhas energias sejam absorvidas pelo fascinante espetáculo. Iniciou minha manhã de trabalho, sem que eu mesma tenha dado conta...

 As baleias de bossa (Megaptera novaeangliae) apertam-se na costa moçambicana, entre Julho e Novembro. O Arquipélago das Querimbas, Inhambane, Bazaruto, Nacala e outras ilhas, são os seus locais predilectos. Também designadas Baleia Jubarte, no Brasil, Baleine à Bosse, em Francês, e Ballena Jorobada, em italiano, elas medem entre 14 e 18 metros e pesam entre 33 e 45 toneladas. Assim, são reconhecidas entre as maiores baleias dos oceanos, pelos saltos espetaculares e pelos batimentos das barbatanas caudais e peitorais. Agora ficamos sempre a espera de ver seus esguichos no mar...é muito lindo vê-las de tão perto!
As baleias, assim como os golfinhos, são cetáceos. Do Latim, Cetus (grande animal marinho) e do grego, Ketus (monstro marinho). Porém, estes animais nada possuem que os caracterize como monstros, com exceção do seu tamanho descomunal. Mamíferos como nós humanos, possuem uma longevidade até 77 anos, necessitam de vir à superfície para respirar, e têm ainda uma estrutura social complexa, com “linguagens” próprias, ainda não totalmente compreendidas pelos cientistas.
As baleias de bossa que visitam as costas moçambicanas alimentam-se de Krill (um pequeno camarão), nas águas frias da Antárctica. Migram, depois, milhares de quilómetros, para as regiões de reprodução. Normalmente, elas escolhem as águas quentes. No período da migração não se alimentam. Eventualmente, a sua opção pelas águas quentes para reprodução, têm a ver com a abundância de predadores. As Orcas. Outro fator associado é o fato de as crias nascerem com muito pouca gordura e, consequentemente, muito dificilmente conseguiriam regular a sua temperatura nas águas frias da Antárctica.
Provavelmente, será possível observar estas e outras baleias em qualquer ponto da costa moçambicana. Um passeio ao longo da costa , uma curta travessia de barco, uma saida de pesca desportiva, oferecem excelentes oportunidades de observação. Porém, torna-se importante notar que as Baleias de Bossa preferem águas profundas durante as migrações. Os locais da costa moçambicana onde mais depressa se atingem profundidades (mais de mil metros), são os locais com as maiores possibilidades de observação. Note-se, no entanto, que as baleias com crias, principalmente com crias de alguns dias ou semanas, podem ser observadas em baías pouco profundas, especialmente, no norte de Moçambique, aqui em Nacala, estão sempre a nos agraciar com seus saltos...Fui nadar no mar...mas não tive coragem de vê-las de perto, melhor apreciar seus saltos, esguichos bem de longe...e olhe que o salto pode variar de uma imersão completa para fora da água, a uma aparição vagarosa, em que, pelo menos, metade do corpo emerge. Apesar das numerosas explicações, o salto continua um mistério. Seria uma pura manifestação de cortejamento? Uma forma de comunicação por sinais? Ou o desalojar de parasitas? Porque não equacionar uma manifestação de força ou um desafio, ou quem sabe, simplesmente uma brincadeira? Melhor pensar que é uma simples brincadeira e respeitá-la no seu espaço de estar! MAGNÍFICAS!!!


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lembranças da minha Bahia

Retornar para minha terra querida após quase 3 meses foi uma alegria muito grande, poder diminuir as saudade e rever tanta gente querida...uma amiga perguntou o que eu levaria para Moçambique no meu retorno, respondi: "Todo o carinho que recebi, que me fortalece a cada despedida e muitas paisagens e gostos que pude saborear esses dias!" Assim deixo um poquinho disso tudo aqui para você também curtir...




Sentir a boa energia que vem da água...

Tomar banho no Farol da Barra

Chupar o melhor picolé: Capelinha de amendoin, cajá, umbu, mangaba, côco...
Se empanturrar  de Acarajé, com vatapá, caruru e camarão!


Tomar roskas com grandes amigas!!!

Celebrar a vida com meus amados amigos...

Comer bolinho de peixe no Souza


Tomar o melhor refri com meus filhos...




Curtir o dia nesse paraiso chamado de Praia do Forte
Passear pela Orla de Itapuan
Almoçar com a Familia...tudo dekicioso!
Admirar aquele Por do Sol na Barra...



Tudo isso não tem preço
Só uma grande Gratidão
Como nos fala o grande Mia Couto: " O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora."
E o bom da vida é saber que sempre podemos estar de volta...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

DESPEDINDO-ME DE NACALA

E um barquinho vai...a tardinha cai...

Hoje pude parar para apreciar mais uma vez as belas fotos que tirei das praias daqui, foram dois meses e meio vendo todos os dias o mar, sua maré que sobe e desce sem cansar, a cada passada do olhar uma mudança, barcos, gente, vento, redes de pesca, mais gente atrás de peixe e agora com a chegada do verão as baleias.


Isso mesmo chegou o tempo das baleias virem para cá, ainda não descobri o caminho que percorrem mas já sei que vem acasalar nas águas profundas daqui...pude assistir por vária vezes o espetáculo que dão a cada hora do dia, de repente vemos lá na praia aquele longo esguicho...lá estão elas a saltarem e mostrarem suas grandes nadadeiras. Em terra paramos para apreciar...que bela a natureza por aqui!

Naherengue é o nome da praia em que estamos, ela está localizada num extremo da península que fica numa ponta do distrito de Nacala, subindo a estrada a 13 km chegamos em Nacala Porto, que é onde a vida acontece e que tem esse nome por ter um porto relativamente grande. Aqui não é só possível ver baleias ,mas barcos, navios enormes levando e trazendo cargas de varias partes do mundo, é um ir e vir, do outro lado fica Nacala- a velha, uma extensão do distrito, um lugar de muita gente que vive da pesca, uma região muito pobre e de grande índice de desnutrição infantil.

A cor do mar é muito bela, de um azul piscina que de tão bonito dói nos olhos, uma água super transparente, limpa, lá embaixo nas suas profundezas muitos corais, de todos as cores e tamanhos, uma diversidade muito grande de conchas e peixes,assim é a vida aqui, um descansar da mente diante de uma natureza tão exuberante!
Ficarei longe por alguns dias...levarei essa paisagem aqui bem dentro da minha alma e de todos os meus sentidos. Que o mundo possa saber que aqui num país tão castigado pela fome, pelas guerras há uma natureza esplendida e um povo tão cheio de ternura e alegria. Bom levar esse sentimento de gratidão por esse tempo que estive por aqui e que tenho certeza que voltarei...


terça-feira, 20 de setembro de 2011

"Nós ainda vamos rir muito disso tudo!” Feliz Aniversário amiga!


O que falar do tempo de uma amizade quando vemos já se passaram tantos anos...Assim tem sido a nossa vida, a correr atrás de sonhos, a realizar desejos e acima de tudo a cultivar uma grande amizade. Assim escrevo hoje para você minha linda amiga Jola, hoje que é uma data tão especial, o dia que resolveu se mostrar ao mundo, o dia de seu aniversário!
Resolvi fazer  um cartão diferente para ser compartilhado aqui nesse espaço onde pessoas especiais costumam transitar, uma forma que encontrei para te falar da importância sua em minha vida e na vida de todos os seus amigos e familiares. Nossa amizade nasceu na fase da nossa vida quando estamos a descobrir sentimentos, a experimentar emoções , a construir valores e crenças, sabiamente aprendemos muitas coisas juntas e o mais importante soubemos nos preservar e respeitar cada momento difícil que vivemos...e não foram poucos, heim? Esses a gente esquece para dar lugar sempre aos bons momentos não é mesmo?
E não faltaram oportunidades para celebrarmos a vida, as conquistas que fomos tendo ao longo da nossa existência , vibrando sempre coisas boas a medida que íamos percebendo como era, e é importante estarmos fortalecida para enfrentar os bons e maus ventos.

Com nosso pequeno grande Dan!

Adoro pensar que o nosso plano de envelhecermos juntas na casa das 3 velhinhas vai ser um grande projeto de vida. Quando aqui longe de casa e cheia de saudade, lembro disso, me sinto fortalecida a ficar mais um tempo aqui pois sei que poderemos assim realizar esse sonho. Saiba que não desistirei e diga a nossa amada Soraya que ela também mentalize isso...sonho que se sonha junto se torna realidade!

Que você tenha um lindo dia, cheio de luz e muitas alegrias com todos que te amam muito. Queria te deixar de presente esse texto que nosso brilhante Charles Chaplin um dia escreveu:
“Preciso de um amiga.
Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado; uma  Amiga o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-la por isso.
Neste mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nesta coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível de encontrar: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justa, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de uma Amiga que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja pouco para as suas necessidades.
Preciso de uma Amiga que também seja companheira, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo:
                             "Nós ainda vamos rir muito disso tudo!”
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher uma Amiga.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela..."
É isso amiga, você é essa pessoa e sempre um pouco mais de tudo isso.
Com muito amor e saudade,
              Kiti.

domingo, 18 de setembro de 2011

Uma língua e suas variações

Desde que aqui cheguei me impressiona como as pessoas no norte do país se comunicam, falo norte porque é onde estou morando, mas tenho conhecido tambem moçambicanos de outras partes do país, é uma grande mistura de palavras que fazem do português quase uma outra língua de tão diferente e complicada que se tornou, principalmente com relação a concordância verbal, brinco a todo instante pois sempre estão a nos falar "NÃO PERCEBI" que significa "não entendi, repita de novo"...assim vamos tentando construir um dialógo, não usam o gerundio...por exemplo: falando, comendo, correndo e sim "a falar", "a comer", "a correr" ou "fui a falar", "fui a correr", "estou a comer", "vou a comer"...É muito engraçado mas ao mesmo tempo curioso as diversas representações que vão acontecendo.
 Como na nossa língua portuguesa temos o gênero masculino e feminino para os objetos e nas outras línguas, principalmente no inglês (muito falada aqui) é só o pronome que muda, ficam todos falando como "gringos" "esse porta, aquele mala"...Tenho tentado entender a variação na língua macua (predominante daqui) mas curiosamente há várias outras que estão falando e de forma misturada: Cicopi,Cinyanga,Cinyungwe,Cisena,Cisenga,Cishona,Ciyao, yao,
Echuwabo,Ekoti,Elomwe,Gitonga,Maconde ou shimakonde,Kimwani,Macua ou emakhuwa,Memane,Suaíli ou swazi ou echuapo ou chuapo,Xichangana,Xronga,Ndau,Xitswa,Zulu.Todas de origem BANTU.Originadas da comunidade asiática: urdu e gujarati. E não são poucas...
Lembrando que são todas línguas orais, com pouquissimos registros escritos, uma se sobrepõe a outra pelo seu contexto histórico e econômico, outras insistem em existir como forma de resistência ao colonialismo português, principalmente nas comunidades mais distantes das cidades grandes.
Assim vou aos poucos tentando entender a formação e transformação que a nossa língua foi passando nesse lugar ONDE UM DIA A VIDA COMEÇOU!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Para Pedro...meu filho! Feliz Aniversário!!!


Hoje dia 14 de setembro, aniversário do meu amado filho Pedro! Assim escrevo para ti filho amado! Pela primeira vez não te acordarei para te encher de beijos e dá-lhe aquele abraço apertado, fazer um super café da manhã e vê-lo seguir para sua rotina de atividades...por isso de longe gostaria de te enviar muitos beijos e lembrar do dia que chegou em nossas vidas trazendo muita luz e felicidade para todos nós.


Lembro do primeiro instante quando te peguei no colo, sabia que era alguém muito especial que retornava para mim ...Logo você  preencheu nossos dias com mais alegria, e como foi esperado por todos nós! Seu irmão Dani, seu pai e toda a família!


 Juntos já vivemos muitas histórias de dias de sol, o maior desafio foi cuidar das suas perninhas que insistiam em ficar tortas e deixar que parasse de chupar dedo(fato que demorou 5 anos)mas consegui! Depois se  tornou um bebê shantala,um grande peixinho,  aos 3 meses de vida já nadava e mergulhava, doideira era querer acompanhá-lo nas primeiras passadas, já não queria engatinhar e sim andar e correr, nada o impedia de caminhar.Logo os pezinhos tortos foram voltando ao seu lugar e não havia nada que o impossibilitasse de ficar parado, assim foi para a escola e lá adorava provar da merenda de todos os coleguinhas, comia o seu lanche  mas não dispensava o do outro, e como gostava de provar sabores, aos 4 anos estava experimentando ser mestre cuca e pode até lançar seu primeiro livro de receitas, daí nunca mais parou de criar pratos, sonhar e correr atrás dessa vontade de  se tornar um grande gourmet na arte de cozinhar...

Assim filho acredito e torço todos os dias que não desista dos seus sonhos, procure realizar seus desejos, se o que quer te faz integro como pessoa e feliz, tem mais é que lutar porisso...
Quando tinha 11 anos me disse que eu não desistisse nunca de lutar pelo o que eu acreditava, lembra? Nunca esqueci disso e não é a toa que cheguei até aqui, do outo lado do mundo...Onde um dia a vida começou!

Que você lembre sempre disso e que saiba que tudo na nossa vida não acontece por acaso...Que você com seu sorriso e encanto conquiste mais sorrisos e corações por onde passar, afinal nessa vida só devemos guardar as lembranças daquilo que nos fez ou faz bem!!!
LEMBRE-SE QUE TE AMO MUITO!!! MUITO!!!
Beijos de eterno amor, sua Mametis
**Ouça a música que me faz lembrar de quando era pequeno e cantava para mim...ESTRELA!


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Homenagem as minhas amigas...mulheres batalhadoras!


Hoje um dia especial para homenagear a todas as mulheres que amo e admiro, pela sua coragem, leveza, doçura, simplicidade, brabeza...as que sabem amar e as que estão a aprender, as que já são mães e as que não vão ser mães, as que já são avós e aquelas que um dia serão grandes avós, tias, dindas...conselheiras, minha mãe, minhas avós, minhas tias,minhas amadas irmãs de sangue Ana e Lela, as minhas irmãs de alma Jola, Soraya, Lilian, Ana, Fau(primagema), Kari, Dida,Olivia, Lena...e tantas amigas que fui fazendo por essa vida...Maria, Lia, Liana, Guel, San, Rita,Manu, Nanda, Wal, Conça, Vania,Lu, Adriana,Mônica, Mara,Conça, Marilia(de parabéns dobrado - avó pela 2a. vez)...Para vocês esse  lindo presente que ganhei da minha amiga AnaMi:
Canção das mulheres
"Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher. (Lya Luft)

Que nunca nos falte coragem para enfrentarmos a vida, com respeito e dignidade!!!
Amo todas vocês!






domingo, 11 de setembro de 2011

A magia que vem de dentro


O banho acontece dentro de um buraco que cavam na areia...

Não sei se muitos fizeram essa descoberta – sei que eu fiz. Desde que aqui cheguei, gosto de caminhar na praia, sempre para o mesmo lado...mas hoje, domingo, maré bem vazia resolvi caminhar num outro sentido, um lado que tem uma encosta de pedras e sempre dá para ver que há muitas mulheres lavando roupa, isso mesmo lavando roupa no mar!
Fui seguindo, quando percebi que não só  lavavam roupas, mas também tomavam banho, completamente nuas, se banhavam esfregando o seu corpo com uma esponja, sem sabão...fiquei de longe imaginando o tipo de limpeza e como estaria  a pele com aquela água salgada, me aproximei e elas me cumprimentaram naturalmente...e continuaram a se banhar...aqui é curioso os costumes que tem essas pessoas que vivem tão integradas a natureza, são hábitos tão diferentes dos nossos, o mais terrível é o odor que emana dos seus corpos, quem não conhece chega a ficar tonto com o cheiro tão forte e ácido. O costume de andar perfumado não chegou por aqui para muitos grupos sociais... E tenho é descoberto histórias... mas lhes conto outro dia, pois meu domingo estava  apenas começando.

 Aqui os Deuses nos presenteou  com uma natureza exuberante, passear na praia é ter o privilégio de encontrar tesouros, como conchas de todas as cores e tamanhos, e estrelas do mar das mais diversas, hoje particularmente encontrei essa estrela vermelha, dei-lhe o nome de Sifa em homenagem a minha nova amiga moçambicana, quando a encontrei estava bem na beira do mar...Sifa soltava bolinhas de ar no seu centro e fiquei a observar como se mexia lentamente, logo a maré começou a encher, e ela pode aos poucos retornar ao mar...me despedi  com cuidado e esperei  ela seguir seu caminho...Não pude deixar de registrar esse momento e ai veio a lembrança de como terminei o dia com  a minha tatuagem indiana e fazendo novas amigas...a pintura está ai...



Vi numa moçambicana suas pinturas nas mãos e pés, não me contive e quis também fazer uma...lá estava eu num sábado de sol na casa de Naline, uma indiana que só fala inglês e o dialeto do seu país, fui convidada a entrar e me vi numa sala enorme cheia de  almofadas, quatro mulheres e dois bebês, sendo que uma mulher  estava sendo preparada para o seu casamento libanês...como parte do  ritual estava sendo tatuada...e ficamos a conversar, em português é claro! No final também fui tatuada e fiz  novas amigas. Fernanda, que amamentava seu bebê Daniel, Nagira a noiva e Sifa que se tornou uma grande amiga. Trocamos muitas histórias, queriam saber do Brasil, e eu da cidade delas, me avisaram sobre a mania que as pessoas tem de falar mal dos outros...demos muitas risadas...



Assim também nos encontramos no domingo, fui convidada a almoçar na casa de Sifa e do seu marido Jonh, conheci toda a sua família macua e sua mama,muito alegre e parecida com a minha mãe, ficamos  amigas também...disse que eu vou ser sua filha branca e que vai me ensinar a ser uma mulher macua, na língua local se referem a mim como “mucunha” ou “ Otela”, que significa mulher branca.


Agradeço de coração a essas mulheres que com seus sorrisos e doçura, me permitiram viver e olhar a vida com outro sentido, a magia aconteceu nas minhas mãos pintadas que me fizeram ir ao encontro mais de perto de uma cultura tão bela e enigmática, ninguém me avisou que ia ser assim...simplesmente  ao me mexer pude redescobrir a sensação do que é  viver o inevitável. Que no silêncio da procura que a gente busca há um tempo para algo se concretizar...assim meu espírito foi ao encontro da vida nessa parte do planeta. E eu fico emocionada só de lembrar todo o percurso que fiz até chegar aqui...aqui onde a vida um dia começou...Que você possa olhar pra tudo isso e imaginar como foram esses dois dias!
assim ficou a minha pintura...vamos ver quanto tempo demora!!!

VEM

O abelhudo e a exibida                         ou o pintor e sua obra Me encanto quando me invade assim Meio sem jeito, mei...