segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Onde a história de Moçambique começou


Finalmente  cheguei a Ilha de Moçambique, depois de 3 tentativas frustradas fui nesse domingo...Daqui de Nacala fica mais ou menos 180 km, uma estrada tranquila e boa de viajar. Atravessamos uma ponte de 4 km bem estreita, quando se está num sentido é preciso esperar os carros do sentido contrário,  a comunicação é precária, como tudo aqui, os guardas não avisam que já liberou um lado e ai já viu...temos que recorrer a paciência...mas enfim chegamos a Ilha.
Travessia para a Ilha
Praça Luis de Camões
Cores dasqui
Quando pensamos na África vem logo à imagem de animais e muita pobreza, não vi ainda esses animais e a pobreza bate na nossa porta diariamente, mas nada diferente do que temos no Brasil e nos países da América do Sul.

Artezanato local


Assim vou me surpreendendo a cada passada que dou por aqui, a ilha tem um conjunto arquitetônico fabuloso, são muitas construções antigas que guardam a história do local. Fui beber na fonte num Museu local, com um guia muito falante do português com forte sotaque “macua” ,  sabendo assim da importância desse local.

Beira Mar


A ilha antes dos portugueses chegarem já servia de entreposto para os comerciantes árabes. Só no século 16 foi que tomaram posse da ilha e construíram uma gigante Fortaleza, dando o nome de São Sebastião em homenagem ao rei de Portugal. Até meados do século 19 foi capital de Moçambique, perdendo esse status para Maputo.


Museu da Ilha

Aqui tem registros da passagem de Vasco da Gama em 1498 e do Poeta Camões, que se refugiou um tempo escrevendo seus sonetos e que são boas referências aos poetas dos dias de agora.

Andar por suas ruas é se defrontar com casas em ruínas, praças mal cuidadas, por descaso das autoridades e também pelas intercorrências naturais, como um ciclone que passou em 2003 arrasando ainda mais esse patrimônio. Mesmo com todo esse estado de caos ainda é possível se encantar por esse cenário selvagem e belo ao mesmo tempo...


É também conhecida como a “cidade das pedras”, no lugar onde foram tiradas as pedras para erguer a Fortaleza e as casas mais ricas, sobrou um grande buraco onde mais tarde foram erguidas a “cidade de macuti”, nome dado ao material feito com folhas de palmeira e usado para erguer as casas populares.
Com toda essa diversidade de construções, pude observar a calma dos ilhéus, seus trajes coloridos e o jeito de nos receber sempre com um sorriso largo e uma forma boa de dizer: “seja bem vinda”.

Há também um rico artesanato e uma culinária típica, a base de peixes, mariscos e condimentos indianos, árabes e portugueses. Nesse cenário de cores e sabores pude desfrutar de tamanha riqueza histórica e cultural num país africano...É sempre uma boa surpresa cada vez que me proponho explorar os arredores onde estou a morar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Incrível...são Baleias?


Aqui no norte de Moçambique, nos meses de Julho a Novembro, somos surpreendidas pela elegância do mergulho das baleias, tomo café e almoço sendo surpreendida por 40 magníficas toneladas, distribuídas por 16m de pura elegância, que me convidam para um mergulho. São as Jubartes ou Corcunda ou Bossa (como são conhecidas aqui)!
 Um espetáculo de fazer inveja aos baianos de Praia do Forte, quando vão ao encontro das baleias e nem sempre elas aparecem. Junto, então, o útil ao agradável. Deixo que minhas energias sejam absorvidas pelo fascinante espetáculo. Iniciou minha manhã de trabalho, sem que eu mesma tenha dado conta...

 As baleias de bossa (Megaptera novaeangliae) apertam-se na costa moçambicana, entre Julho e Novembro. O Arquipélago das Querimbas, Inhambane, Bazaruto, Nacala e outras ilhas, são os seus locais predilectos. Também designadas Baleia Jubarte, no Brasil, Baleine à Bosse, em Francês, e Ballena Jorobada, em italiano, elas medem entre 14 e 18 metros e pesam entre 33 e 45 toneladas. Assim, são reconhecidas entre as maiores baleias dos oceanos, pelos saltos espetaculares e pelos batimentos das barbatanas caudais e peitorais. Agora ficamos sempre a espera de ver seus esguichos no mar...é muito lindo vê-las de tão perto!
As baleias, assim como os golfinhos, são cetáceos. Do Latim, Cetus (grande animal marinho) e do grego, Ketus (monstro marinho). Porém, estes animais nada possuem que os caracterize como monstros, com exceção do seu tamanho descomunal. Mamíferos como nós humanos, possuem uma longevidade até 77 anos, necessitam de vir à superfície para respirar, e têm ainda uma estrutura social complexa, com “linguagens” próprias, ainda não totalmente compreendidas pelos cientistas.
As baleias de bossa que visitam as costas moçambicanas alimentam-se de Krill (um pequeno camarão), nas águas frias da Antárctica. Migram, depois, milhares de quilómetros, para as regiões de reprodução. Normalmente, elas escolhem as águas quentes. No período da migração não se alimentam. Eventualmente, a sua opção pelas águas quentes para reprodução, têm a ver com a abundância de predadores. As Orcas. Outro fator associado é o fato de as crias nascerem com muito pouca gordura e, consequentemente, muito dificilmente conseguiriam regular a sua temperatura nas águas frias da Antárctica.
Provavelmente, será possível observar estas e outras baleias em qualquer ponto da costa moçambicana. Um passeio ao longo da costa , uma curta travessia de barco, uma saida de pesca desportiva, oferecem excelentes oportunidades de observação. Porém, torna-se importante notar que as Baleias de Bossa preferem águas profundas durante as migrações. Os locais da costa moçambicana onde mais depressa se atingem profundidades (mais de mil metros), são os locais com as maiores possibilidades de observação. Note-se, no entanto, que as baleias com crias, principalmente com crias de alguns dias ou semanas, podem ser observadas em baías pouco profundas, especialmente, no norte de Moçambique, aqui em Nacala, estão sempre a nos agraciar com seus saltos...Fui nadar no mar...mas não tive coragem de vê-las de perto, melhor apreciar seus saltos, esguichos bem de longe...e olhe que o salto pode variar de uma imersão completa para fora da água, a uma aparição vagarosa, em que, pelo menos, metade do corpo emerge. Apesar das numerosas explicações, o salto continua um mistério. Seria uma pura manifestação de cortejamento? Uma forma de comunicação por sinais? Ou o desalojar de parasitas? Porque não equacionar uma manifestação de força ou um desafio, ou quem sabe, simplesmente uma brincadeira? Melhor pensar que é uma simples brincadeira e respeitá-la no seu espaço de estar! MAGNÍFICAS!!!


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lembranças da minha Bahia

Retornar para minha terra querida após quase 3 meses foi uma alegria muito grande, poder diminuir as saudade e rever tanta gente querida...uma amiga perguntou o que eu levaria para Moçambique no meu retorno, respondi: "Todo o carinho que recebi, que me fortalece a cada despedida e muitas paisagens e gostos que pude saborear esses dias!" Assim deixo um poquinho disso tudo aqui para você também curtir...




Sentir a boa energia que vem da água...

Tomar banho no Farol da Barra

Chupar o melhor picolé: Capelinha de amendoin, cajá, umbu, mangaba, côco...
Se empanturrar  de Acarajé, com vatapá, caruru e camarão!


Tomar roskas com grandes amigas!!!

Celebrar a vida com meus amados amigos...

Comer bolinho de peixe no Souza


Tomar o melhor refri com meus filhos...




Curtir o dia nesse paraiso chamado de Praia do Forte
Passear pela Orla de Itapuan
Almoçar com a Familia...tudo dekicioso!
Admirar aquele Por do Sol na Barra...



Tudo isso não tem preço
Só uma grande Gratidão
Como nos fala o grande Mia Couto: " O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora."
E o bom da vida é saber que sempre podemos estar de volta...

Um poeta e sua mãe

Maio ficou para traz mas não poderia deixar de registrar o presente mais sublime que recebi do meu poeta amado,  meu filho mais novo!  El...