segunda-feira, 30 de abril de 2012

Parte 2- OHISUWELA, ONLIKANA N’OKHWA - Não saber, é como morrer.(provérbio macua)


 (Fotos do Festival)

A mulher macua exerce muitos papéis na sociedade, mas o mais incrível é perceber a sua força e coragem para enfrentar as dificuldades, procuro sempre entender o valor que tem em meio a cultura local e num dia de participação no Festival Cultural na cidade de Nacala foi possível observá-las mais de perto, no cuidado consigo e com os filhos, bem como a cumplicidade que ambas tem...praticamente uma irmandade feminina, tão unidas em torno das cantigas, danças e rituais do seu povo macua.

“M´MAKHUWA (macua) tem a sua origem em mitos que nos remetem para o monte Namuli como lugar originário primordial, situado na serra do Gurué, a norte da província da Zambézia e numa das explicações etimológicas encontra-se a expressão: o povo mais selvagem.

É uma sociedade cultural sui generis, com crenças e costumes que se praticam não só nas aldeias como no meio urbano e se estenderam como práticas frequentes a todo o país. Quanto à distribuição do poder, na sociedade macua, cada parte da linhagem tem a sua própria autoridade, designada por ATATA, tio matrono, ou seja, o irmão mais velho da mãe de um determinado EGO, o qual é, por isso, o chefe de um grupo de unidades uterinas.

O conjunto de todos os ATATA tem um decano, que é o chefe de escalão imediatamente superior, o chefe da linhagem, chamado NIHUMU. Ele é a autoridade do conjunto das partes de uma determinada linhagem, que forma a primeira unidade social macua chamado NLOKO.

Paralelamente ao chefe de uma povoação existe a figura da mulher mais importante, chamada APWIYAMWENE. Normalmente, esta mulher não exerce diretamente a autoridade. Ela é uma espécie de conselheira, com papel de grande relevo na sociedade e nos ritos, ela é a irmã uterina mais velha de um determinado chefe.

A APWIYAMWENE representa o ventre da linhagem, que, detendo o poder, é a garantia da conservação da tradição. Para além de uma série de requisitos que vão de acordo à conduta moral e social idealizada e determinada o MWENE é escolhido pelo corpo eleitor do seu chefado que é formado pelos chefes das linhagens (MAHUMU) locais. É no entanto porém a APWIYANWENE «a mulher mais importante» que dá o parecer decisivo Esta figura anciã feminina surge assim sempre ao lado da entidade do chefe MWENE, cujo cargo se pode traduzir com várias denominações: rainha, mulher mais importante, primeira conselheira.

 O seu papel é de facto supremo e merece uma análise detalhada. Veja-se etimologicamente: «A» prefixo plural da 1ª classe à qual pertencem as pessoas; trata-se, aqui, de um plural majestático e de respeito; «PWIYA» - senhor/a; «MWENE»- chefe, rei, máxima autoridade Assim, o sentido etimológico da palavra poderá ser compreendido como: «a mais importante das mulheres da sociedade ao lado do chefe». Ela representa o «ventre» original da linhagem, sendo, por isso, considerada a «mãe das mães». Cumpre o papel de medianeira do povo e de garantia do futuro da sociedade.

As suas funções exercem-se na vida sócio-política: como alta conselheira , deve sempre ser consultada pelo chefe no governo da sociedade, na administração da justiça e nos ritos. A APWIYAMWENE desempenha um papel ativo de primeira ordem na vida ritual, especialmente nos ritos de iniciação feminina e nos sacrifícios tradicionais.”


Fonte de informação: O povo Macua e a sua Culturae

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