terça-feira, 10 de outubro de 2017

VEM

O abelhudo e a exibida 
                       ou o pintor e sua obra




Me encanto quando me invade assim
Meio sem jeito, meio faceiro mas contido
E te decifro no meu corpo
E te encontro nesse sorriso
Não pode me conter
Assim me vejo no seu olhar
Faceira, brejeira, com desejos
Faz isso comigo
Me desperta de um sono
Ou será sonho?
Nos bolimos...me bole e eu te bulo
Nossos códigos são infinitos
Vc me expia e eu te vejo
Eu te olho e vc desperta
Assim nosso plá...um eterno gozo em busca de algo
Saciável?
Talvez!
O pintor faz sua obra a obra é do pintor
Ele leva ela consigo e ela traz ela pra ele.
Vem que te quero!
Meu olhudo contido...te abraçarei com sorrisos infinitos e desejos guardados.
VEM!


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Um poeta e sua mãe

Maio ficou para traz mas não poderia deixar de registrar o presente mais sublime que recebi do meu poeta amado,  meu filho mais novo!  Ele  aos poucos ensaia mostrar suas produções, sua expressão através das palavras rimadas, ritmadas, poderosas no momento da explosão do sentimento...pra mim a mais pura emoção, uma revelação que a tanto ansiava e chegou assim inesperadamente.
E ai filho te respondo assim:

Ah se todos os dias fossem como aquele que te peguei pela primeira vez no colo,
Problemas haviam aos montes mas naquele instante era eu e você.
Seu tempo era mamar, dormir e dengos
Seu ressonar e choro indicavam sentidos
Aos poucos crescia e cada despertar era só alegria e o mais puro carinho
Adorava um dengo meu, dos seus irmãos e do seu pai
E como era dengoso!
E amoroso!
E companheiro!
Se aninhava em meus braços e dizia: não vou crescer nunca!
Quero sempre esse colo!
Mas o sr.tempo nos roubou a idade 
E você cresceu...e já some nos meus braços e abraços.
Hoje quem pede colo sou eu...
Hoje quem pede dengo sou eu
Assim é a roda da vida
Uma hora somos mãe, uma hora somos filha
Até que se cumpra a grande passagem.
                 Te amo pra sempre filho amado!



Para você...
Ah, se todos os dias fossem como aquele tranqüilo mar,
Longe dos problemas, só com vento a nortear.
Se sua maior dor, fosse só a de parir,
Se fosse simples assim, que nem uma rosa a florir.
E se de repente, um dia eu percebesse, que todo dia é seu dia,
Um filho mais amoroso poderia ser,
Sustento de minha existência, eterna companhia.
Mãe, amiga, irmã, por vezes filha pouco sã.
Trilhando o asfalto urbano,
Lutando por um pouco de sono,
Mas logo mãe, tudo se acerta,
A esperança é sua neta,
E a saudade minha companheira.
Utopia seu eterno menino,
Brincando no jardim a vida inteira.
Por ora, vou voando,
Espiando cada espaço,
Nunca esquecendo, do descanso de seu abraço,
Gestou-a mim, ligada por um laço,
E como todo,
Às vezes aperta,
Às vezes solta,
Hoje estou na lua,
Mas logo, logo estou de volta.
Com amor,
Seu filho.

Gabriel ( Presente do Dia das Mães, maio/2017)

sexta-feira, 5 de maio de 2017

DESEJOS...LAMPEJOS...FESTEJOS!

De janelas entreabertas descobrimos as tantas possibilidades de respirar o ar puro que vem do além mar
Saindo da concha  por tantos dias, meses e horas...

     Uma paz e a boa sensação de liberdade tão esquecida!
       ver a luz com outros olhos
sentir novos aromas 
      arrepiar a pele ao toque
           viajar numa outra sintonia
 saborear novidades
                               e abrir-se para a infinitude de acasos.
A paisagem é a mesma mas o querer mudou...
mudou o olhar 
mudou o sentir!
E toda a frieza se transfigura em ondas de boas vibrações
novos sonhos
     outras sensações!
Eterno festejo de tudo que era metade e volta a ser inteiro.
Sim: Festejos
                        Lampejos
                                       Desejos...
A vida segue seu moço...aqui nos trópicos de novos quereres!

E QUANDO...




quinta-feira, 13 de abril de 2017

Dia do BEIJO



Não poderia deixar meu recadinho aqui nesse dia que é tão especial...
                                             DIA DO BEIJO!
                                             Quem inventou???
Pouco se sabe mas com certeza alguém que gosta muito de beijar e ser beijado(a)...também concordo e assino embaixo...o beijo diz tudo sobre uma pessoa, é aquele momento de extrema intimidade onde dois passa a ser uno, onde a troca de energias se faz presente, é quando seu coração encontra o outro coração e bate num só ritmo, tudo mais perde sua importância...se me perguntarem qual foi o beijo mais impactante na minha vida lhes direi: foi quando reencontrei um grande amor do passado e que depois de trocarmos carinhos, segredos, histórias... ficamos parados num estacionamento em frente a um dos maiores restaurantes de São Paulo "Figueira Rubaiyat" e aconteceu aquele beijo que ficou gravado para sempre...juntos viajamos na sensação que sentimos, e foi um gozo indescritível, depois disso nossa vida nunca mais foi a mesma!
Não há segredo, mas há ingredientes essenciais: vontade,entrega, confiança, leveza, devaneio, paixão e volúpia.
Se o beijo não é forte e intenso ao mesmo tempo, desista...dalí nada vai germinar...é só uma leve esperança que aconteça o UP e isso pode se tornar frustrante...não há sorriso, abraço, sexo que supere esse momento de puro deleite quando você encontra a pessoa que lhe beija e te leva as nuvens...esse é o grande termômetro que vai te dizer se vale ou não insistir na troca de energias...no projeto de amor futuro!
Sinta...observe...mergulhe!!!
                                                            FELIZ DIA DO BEIJO

                                                   "Existe beijo ruim? Existe. 
Beijo sem alma, beijo educado demais, beijo cheio de cuidados, beijo curto, beijo seco. Mas uma coisa é certa: precisa dois para torná-lo frio ou torná-lo quente. Todo mundo pode beijar bem, basta nossa boca encontrar com quem." ( Marta Medeiros)

sexta-feira, 7 de abril de 2017

QUERER...com mais doçura!


Se fizermos um retorno ao passado percebemos o quanto de frustrações vamos acumulando durante a nossa existência, desde que nascemos lidamos com perdas, com desilusões, com a falta de...
Foi a perda do primeiro dente, a mãe que te deixa no canto quando chega mais e  mais irmãos, a amiga da escola que resolve não ser mais sua amiga, a viagem que não aconteceu, o brinquedo que não veio e lá se vão os anos e novas decepções, e mais sofrimento...me pergunto para quê tudo isso?
Sabemos da fragilidade do existir, da impermanência da vida mas mesmo assim nos enchemos de expectativas e certezas...

                  Mas de que mesmo? Que falta é essa? Onde guardamos tanta ilusão?
E de tanto questionar, ler e buscar respostas encontro uma crônica que me chamou muito a atenção pela sua densidade e complexidade, ela nos chama a ver a vida com outros olhos e a parar de sofrer por algo que está somente de passagem...isso mesmo: estamos aqui de passagem e precisamos viver essa passagem com mais leveza e serenidade...deixo para vocês as palavras que desejaria proferir mas que  a Lya Luft soube empregá-las com  maestria:

                                                           “ADEUS ÀS ILUSÕES”
Acredito, sinceramente, que viveríamos bem melhor sem elas, as ilusões. Afinal, de que nos servem mesmo?
Alguém pode dizer que elas são como bálsamos em uma realidade árdua. Sim, é o que me parece, também. Entretanto, ao criá-las e alimentá-las estamos apenas fugindo, adiando o enfrentamento com essa nada ilusória realidade que, ao fim e ao cabo, sempre falará mais alto.
Tudo tem início a partir do nosso medo maior. O medo da nossa própria finitude que nos leva às ilusões de imortalidade, de vida eterna ou, o que é mais comum, à ilusão de ser possível não pensar no assunto, a “empurrar com a barriga”. Loucura!
A única certeza concreta que a vida nos oferece e, ao invés de - a partir daí - valorizarmos o viver, como experiência divina para alguns ou como experiência meramente sensorial e incrível para outros, ou ambos.
Mas não. A partir daí, inicia-se um incessante constructo de ilusões e a vida passa a ser irreal ou, quando consegue ser mais interessante, surreal. 

As ilusões do amor. A alma gêmea. O casamento. Os votos. As juras. As testemunhas. O juiz. O padre, o pastor, ou outro “líder Espiritual. A festa. O amor único e eterno. A fidelidade eterna. O amor verdadeiro. Amor?!... Ao outro como a si mesmo? Ou um amor possessivo, obsessivo, destrutivo? “Acho que isso não é amor... Será?...” Tudo imaginação: Ilusão.
“Nos fins do século XVII o amor teve um novo alento. Nasceu cheio de sonhos e de fantasias. Era o amor romântico, o amor de Pierrot e Colombina, o amor de Romeu e Julieta, o amor de Tristão e Isolda, todos rígidos e marcados por impossibilidades. Quanto mais obstáculos a transpor, mais apaixonado ele se torna. Entretanto, em um determinado momento, interesses econômicos introduziram esse tipo de amor no casamento, transformando toda a sua história. A chegada do amor romântico fez do casamento o meio para as pessoas realizarem suas necessidades afetivas.”
Portanto, esse amor romântico não passa de um “amor inventado”,que tanta gente adora, inclusive Cazuza.
E, assim, vamo-nos tornando mais e mais vulneráveis aos revezes da vida. Esta, sim, plena de realidade. A cada ilusão perdida equivalem alguns sofrimentos. Verdadeiro calcanhar de Aquiles, exposto às constantes flechadas disparadas pelo certeiro arco da realidade.
Alguns, mais pretensiosos, entoam queixumes: “Por que comigo?!... Eu não mereço isto!”. E, rapidamente, se apegam a outras ilusões. Coooreee!
Como pano de fundo nesse mar de quimeras, a grande, a majestosa ilusão da felicidade. Alguém saberia dizer o que é essa tal? Seria curtir, se divertir, ter grana, viajar, ser famoso, adquirir, consumir, viver confortavelmente, ter um xodó, uma família?... Conheço inúmeras pessoas com todo esse acervo, às quais eu não adjetivaria como felizes.
O grande ganho da humanidade será, num momento de suprema coragem, reconhecer que a felicidade não existe. Ora, em não existindo a felicidade, cairá por terra toda e qualquer possibilidade de ser-se infeliz.Esta me parece a grande questão e o grande imbróglio criado por essa dependência de ilusões.
Iludimo-nos que somos boas pessoas quando o espírito natalino nos “possui” e somos solidários dando presentes a criancinhas pobres, pegando cartinhas nos Correios, nos shoppings ou, quando muito bonzinhos, visitando um orfanato, um asilo. Depois, o tal do espírito natalino desencarna e voltamos ao nosso grande interesse que é o centro do nosso próprio umbigo. A dor, a fome, a miséria, a indignidade de vidas alheias não nos interessam. Ao menos não até o próximo ”bom velhinho” voltar.
E, por falar nisso, não podemos esquecer que essa nossa necessidade de ilusões constitui-se no leitmotiv da ciência do marketing. É em cima dessa característica humana que desejos e necessidades são criados e nos empurrados goela abaixo. E o “bom velhinho” é o maior e mais deletério exemplo disso. Ora, a festa é de outro cara. Um cara especial, independente de ser filho de A ou B. Subversivo, transgressor nas suas mensagens e atitudes embasadas no amor, um amor maior. Aí, aparece de penetra o velho gordo com o saco vermelho repleto de presentes (ilusões) e rouba a cena. Vamos ser felizes! Todos ao shopping! Rô Rô Rô! E nós, sedentos por ilusões, fazemos coro: dingoubel!
Ah!... as ilusões!... Prato cheio para outro grande maleficio que são as religiões. Contra os nossos medos, doses maciças de ilusão. Nada contra a fé de quem quer que seja, mas um mínimo de lucidez é essencial. Dizer amém, aleluia, axé, namastê e tals, da boca pra fora, é auto ilusão, talvez a sua forma mais nefasta. Quando o cego não quer ver, não adianta acenderem-se os holofotes. 
Enfim, eu acredito – e estou tentando – que, somente dizendo adeus às ilusões é que poderemos experenciar a resiliência, exercitar a inteireza, e assim viver. 
                                                               Realmente, viver!
“A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura.” (Lya Luft)

terça-feira, 21 de março de 2017

Partiu! de tão frágil...partiu!

                        



 Numa semana marcada pela acentuação de descobertas em torno do querer...
          do ter...
                                    do confiar e se entregar,
             Percebo o quanto da busca por um amor de verdade nos imobiliza a alma e o corpo. 
           É quando já não se tem mais o que dizer nem provar, 
              quando se busca a todo custo provar o quanto de bem querer se tem
                                e ao mesmo tempo diante do fracasso de se provar ter que recuar,
                               de repente você se vê num campo de batalha 
                                     de ideias e palavras que vão perdendo o sentido 
                    na sua fugaz velocidade 
                  de representações e sentidos. 
            O que fica?
            O que sobrou?
            Havia amor?
          Ou era só vapor que novamente volta a ser Líquido.
Que troço é esse que não tem consistência?
Que se desmanchou feito "espumas ao vento".
Vazio
Tristeza
Dor!!!
Assim está o lugar que antes foi ocupado pelo dito
AMOR!





Bauman e a dificuldade de amar 

                                                                                          Anna Carolina Pinto

Zygmunt Bauman é autor de inúmeras obras com a palavra líquido em seu título. A noção de liquidez proposta pelo filósofo e sociólogo polonês, falecido no começo desse mês, é aplicada aos mais variados temas como a modernidade, o amor, o medo, a vida e o tempo, expressando a fluidez, isto é, a imensa facilidade com que estes elementos escorrem pelas mãos do homem moderno. A idéia, extraída de “O Manifesto Comunista” de Marx e Engels, vem da célebre afirmação de que tudo que é sólido se desmancha no ar e de que tudo que é sagrado é profanado: assim é a modernidade e sua essência que se alastra pela vida do homem moderno transformando-o não só como indivíduo, mas também como ser relacional.
O primeiro livro do Bauman que li foi “Amor Líquido” o qual, carinhosamente, valendo-me das palavras de Caetano, defino como “um sopapo na cara do fraco”, que me fez e faz, já que essa sorte de questionamento é constante, pensar na forma como nos relacionamos hoje em dia. Um ponto alto do livro, aos meus olhos, é o capítulo no qual Bauman fala sobre a dificuldade de amar o próximo destacando o modo como lidamos com os estranhos. Penso que nessa dificuldade é que se encontra a raiz de tantos dos nossos problemas seja na esfera pessoal ou pública. E é sobre isso que eu gostaria de refletir conjuntamente hoje.
Vivemos em uma sociedade fortemente marcada pelo conflito ser x ter na qual o homem passa a se expressar pelas suas posses, elementos definidores de sua própria identidade, o que reflete na busca por certa conformidade que ceifa a pluralidade de existências e segrega o que é diferente, estranho. O modo como as cidades se dividem é exemplo disso, os nichos considerados seguros são aqueles onde todos se parecem, exacerbando a nossa dificuldade em lidar com os estranhos que passam a ser evitados através de sistemas de segurança, muros, priorização de espaços que assegurem a conformidade de seus freqüentadores como os shoppings e etc. Evitar a todo custo o incômodo de estar na presença de estranhos, começar a enxergar naquele que sequer se sabe o nome um inimigo em potencial e desconfiar de tudo e de todos só é possível graças ao desengajamento e ruptura de laços para o sociólogo polonês.
Se levarmos em conta que amar outra pessoa não é amar o que projetamos nela e sim a sua humanidade e singularidades, não será difícil compreender que o amor é um desafio nos tempos de modernidade líquida. A busca pela felicidade individual nos transforma em tribunais individuais e, na disputa pela sentença a ser proferida, não raro, o que se vê é sair vencedor aquele que se recusa a ouvir o outro. Facilmente, pois, livramo-nos dos compromissos e de tudo aquilo que nos pareça incômodo. Ainda que tão agarrados a nós mesmos, paradoxalmente, é bastante comum que a solidão seja companhia (e problema) constante de quem vive a descartar.
Os muros que construímos ao nosso redor, físicos ou emocionais, têm mesmo esse condão de isolar e criar dois mundos em cada um de seus dois lados: o de dentro e o de fora. O último, espaço cativo dos que nos incomodam- aqui incluídos tanto quem nos relacionamos de forma íntima, quanto aqueles que preferimos distantes, inviabilizados de estar perto, enfim, aniquilados ao prender, matar, limitar a circulação, fixar em zonas periféricas e etc. É que Narciso acha feio tudo que não é espelho, já diria, mais uma vez, o sempre genial Caetano Veloso.
Dessas reflexões que vão (muito) longe e que, por ora, encerro aqui fica sempre uma mensagem muito clara para mim: amar (mesmo) é um ato revolucionário e só ama quem tem coragem o bastante pra lidar com esse desafio porque sabe que, por mais que nem tudo sejam flores, esse amor “sólido” é que nos impulsiona a querermos ser melhores seja como pessoa ou sociedade. Parece distante e utópico, mas está dentro de nós: ame profunda e verdadeiramente. Até quem você não conhece.
*Anna Carolina Cunha Pinto, colunista da Revista Prosa, Verso e Arte, escreve no primeiro e terceiro sábados do mês sobre suas percepções do mundo associando-as com conteúdos de Filosofia e Sociologia. Formada em Direito pela Universidade Cândido Mendes, mestranda em Sociologia e Direito pela UFF e apaixonada por filosofia.


segunda-feira, 13 de março de 2017

Ninho? Quando eles se vão...



Março chegou trazendo  despedidas e encerramento de uma história que poderia ser algo mais que uma simples história de amor, me pego pensando na DOR que me invadiu e que quase me leva a uma depressão sem precedentes...tudo acontecendo ao meu redor, fechamento de ciclo profissional, hormônios em ebulição, os filhos saindo de casa, o possível amor que revela não amar-te como você passou acreditar que sim e você tendo que ser forte para suportar a entrar em casa, agora vazia, todos se foram, como num passe de mágica...o silêncio e a tristeza se instauram e você se vê na sala em prantos e pensando: E AGORA? E AGORA?
Acho que ninguém está  preparado para as partidas das pessoas queridas, a primeira sensação é de abandono, descaso, lamento...apesar de termos consciência que nada é para sempre, que não podemos prender ninguém ao nosso lado, que o apego prejudica qualquer tipo de relação, ainda assim sofremos...e precisamos diluir essa dor para que possamos seguir em frente, a encarar a quietude como algo que nos irá fortalecer para o resto da vida...nesse turbilhão de emoções recebo esse texto tão leve e verdadeiro de um filho para sua mãe, forte e tão real em cada palavra e frase construída...que possamos transitar mais tranquilos por esse estado de encontrar seu "ninho vazio" e já não sofrer tanto quanto os primeiros instantes:


                        VISÃO DE UM FILHO SOBRE "SÍNDROME DO NINHO VAZIO"
 " O outro lado da síndrome do ninho vazio: Mães, Escrevo isto como filho que se doeu lendo textos sobre como vocês se sentiram quando nós, filhos, saímos de casa. A dor de vocês foi chamada pela psicologia de Síndrome do Ninho Vazio, mas a nossa ainda não ganhou nome. Seria um outro ninho vazio? Não sei, mas venho falar sobre os medos, as angústias e as delícias de sair do ninho para o mundo, lugar para o qual vocês nos criaram. Nosso primeiro ninho, o ventre materno, tinha tempo de estadia. Perto dos 9 meses, às vezes antes, nós sairíamos daquele lugar onde nada podia nos tocar. Nós, filhos, não lembramos da experiência de querer sair de lá. Imagino que, em um certo ponto, começamos a nos sentir apertadas e desconfortáveis. Talvez algum questionamento do tipo “Mas o que está acontecendo? Era tão gostosinho aqui antes!” tenha aparecido nas nossas cabeças. Quem sabe até uma mágoa: "por que ela não me dá mais espaço?”, assim ficaríamos mais um tempo por ali. Vocês, mães, por outro lado, não viam a hora de ver a nossa cara. Nosso segundo ninho, o lar ao lado de vocês, nunca teve limite de permanência. Vocês não nos empurrariam para fora jamais. Foi ali que aprendemos tudo: comer, falar, andar, agarrar mãos e objetivos, dar risada, ir ao banheiro, ler, escrever… tudo. Passamos por fases fáceis e divertidas, difíceis e intermináveis. Nós crescemos, vocês também. Assistimos a suas crises existenciais, aos conflitos com a idade, ao amadurecimento como mãe e à beleza de ser o que se é todos os dias. Vocês assistiram às transformações, às pernas crescendo demais, aos brinquedos aparecendo e depois sumindo da sala. Começamos a sair por aí nos nossos voos curtos. Deixamos vocês sem dormir direito diversas vezes, enquanto bebíamos em algum canto da cidade. Discutimos o motivo dos “nãos” para viagens para praia no carro do amigo do amigo da prima. Ficamos os dois desconfortáveis com as conversas que mães e filhos têm que ter. Mentimos para vocês e vocês mentiram para nós. Choramos num quarto, vocês no outro. Perto dos 20 anos, às vezes antes, às vezes depois, o ninho começou a ficar apertado de novo. Nossas vontades e sonhos não cabiam mais ali. Era óbvio que sairíamos um dia: para morarmos sozinhos, para um intercâmbio, para morar com uma amiga ou um amigo, com uma companheira ou um companheiro. A hora ia chegar, mas nenhum de nós sabia quando. Por fim, saímos, e o ninho ficou vazio. As primeiras noites, chegando em casa sem ter quem nos esperasse, foram estranhas tanto quanto para vocês. O beijo na testa antes de dormir fez falta, o cheiro do café quando saíamos do quarto prontos para fazer o que tínhamos que fazer, o lembrete para levar a blusa e o guarda-chuva. Mãe, eu continuo levando a blusa e o guarda-chuva. O arroz grudou, a roupa ficou mais ou menos limpa, coisas estragaram na geladeira, eu cheguei em casa tarde demais, dormi pouco, fiquei doente, te liguei perguntando como cozinhar alguma coisa e para saber como lavava a roupa direito. O amor, a essência da nossa relação, permanece igual. Mudaram os hábitos, a vida, o caminhar das coisas. Mãe, eu descobri que o ninho nunca foi um espaço físico; foi sempre o seu coração – e de mim ele nunca ficará vazio."

E VIVA SEU TEMPO DE REORGANIZAR SUA VIDA E SEUS AFETOS...NÃO TEM OUTRA OPÇÃO!


quarta-feira, 8 de março de 2017

Pecamos por excesso ou por falta?

Elogio do Pecado ...

Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza

você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.

É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa

Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.

Dia Internacional da Mulher...no meio de tantas mensagens bonitas me encontro com essa da Bruna Lombardi...Identifiquei-me de cara, quem pode mais com nós mulheres?
Ganhamos o mundo e aprendemos a nos defender, mesmo quando tentam a todo instante nos puxar o tapete...a nos diminuir e humilhar.
Escutei recentemente que nosso erro é amarmos demais, de sermos intensas, de lutarmos com garras e batons para conseguirmos nosso lugar ao sol...acredito demais que só existe esse caminho, de extrema valentia pelo amor, pela vida! Sem isso o que sobra?
Descaso? Desprezo? Desinteresse...não! Isso não constrói...só te leva pra baixo.
Assim termino o dia que foi escolhido para que honremos o fato de sermos MULHERES...que nos unamos cada vez mais contra esse opressor que a todo momento nos quer para baixo.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Cinza...vento...pó...



Em plena quarta-feira de cinzas, de um carnaval que não existiu, ao contrário, existiu, mas de forma inversa: em vez de alegria e risos, muita tristeza e lágrimas... mas que mesmo assim você acorda, levanta e percebe que o dia lá fora convida para um banho de mar, que a vida cá dentro pede limpeza e você decide em meio a dor se livrar de papéis, de fotos, de histórias que só enchem o ar de mais melancolia...assim me vi em pleno ritual de queimar, de transformar em pó o que já não representava mais nada e o Universo te manda através de um amigo distante essa mensagem de arrepiar e afirmar a veracidade do seu ato:



  • "Notai.

  •  Esta nossa chamada vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó: do pó que fomos ao pó que havemos de ser. 

  • Uns fazem o círculo maior, outros menor, outros mais pequeno, outros mínimo. 

  • Mas, ou o caminho seja largo, ou breve, ou brevíssimo, como é círculo de pó a pó, sempre e em qualquer parte da vida somos pó.

  • Quem vai circularmente de um ponto para o mesmo ponto, quanto mais se aparta dele tanto mais se chega para ele; e quem quanto mais se aparta mais se chega, não se aparta.

  • O pó que foi nosso princípio, esse mesmo, e não outro, é o nosso fim, e porque caminhamos circularmente deste pó para este pó, quanto mais parece que nos apartamos dele, tanto mais nos chegamos para ele; o passo que nos aparta, esse mesmo nos chega; o dia que faz a vida, esse mesmo a desfaz.

  •  E como esta roda que anda e desanda juntamente sempre nos vai moendo, sempre somos pó."                                                                     (Sermões de Antonio Vieira de 4a.feira de cinzas no ano de 1672).


  • Um texto escrito em pleno século XVII e que no momento oportuno ganhou uma força mágica,impressionante, a pura confirmação do que eu precisava me desfazer e assim quem sabe prosseguir na minha história atual, tão linda, emocionante e cheia de luz, que por um desencanto momentâneo passou da luz as sombras.

  • Que esse pó que o vento marítimo levou se transforme em pequenas partículas da mais pura poeira cósmica...intangível e desprezível.
  • Que possamos transformar a dor e a dificuldade em algo valioso para o resto das nossas vidas.
  • Que o vento leve o que não nos faz bem!
  • Que as ondas do mar nos tragam a beleza do eterno existir com graça e leveza.
  • AXÉ!!!
"Quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge, triunfante e bela...Novas folhas, novas flores, na infinita benção do recomeço." 
                                                                                                                         ( Chico Xavier)




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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Entre o Céu e o Mar

Buscando entender conceitos, diferenças, semelhanças e aproximações sobre AMOR e PAIXÃO tive a oportunidade de conhecer a obra de um escritor português Miguel Esteves Cardoso, um autor contemporâneo que tem uma trajetória bastante curiosa diante das suas produções literárias, depois de ter escrito vários livros e se tornar cronista de alguns jornais portugueses hoje concentra-se no seu trabalho de blogueiro, no blog PÚBLICO o qual escreve e comenta sobre diversos temas e assuntos.

Descubro assim um texto que escreveu sobre esse tema que tanto nos intriga na sua compreensão pequena e restrita quando diante de estar vivendo ou experienciando uma relação amorosa, em "Explicações portuguesas" ele traça pontos possíveis de serem sentidos e compreendidos em toda a sua simplicidade e/ou complexidade.
 Até onde o que sentimos é paixão? quando deixa de ser paixão e se torna amor? o que vem primeiro o amor ou a paixão? existe amor sem paixão? e lá se vai uma infinidade de perguntas com respostas as mais variadas...fieis ou não aos nossos princípios...compartilho com vocês o texto que ele tão brilhantemente me convenceu sobre a veracidade das suas crenças:

                                  O amor maior

O amor é preocupação. Ter o coração já previamente ocupado. Ter medo que alguma coisa de mal aconteça à pessoa amada. Sofrer mais por não poder aliviar o sofrimento da pessoa amada do que ela própria sofre. 
O amor é banal. É por isso que é tão bonito. O que se quer da pessoa amada: antes que ela nos ame também, é que ela seja feliz, que seja saudável, que tudo lhe corra bem. Embora se saiba que o mundo não o permite, passa-se por cima da realidade, do raciocínio do que é possível, e quer-se, e espera-se, que Deus abra, no caso dela, uma excepção. 


A paixão pode parecer mais interessante. Mas irrita-me que se compare com o amor. Como se pode comparar dois sentimentos que não têm uma única semelhança? Se o amor e a paixão coincidem, é como a cor do céu e do mar num dia de Verão — é uma alegria, mas nada nos diz acerca do que distingue o ar da água. 
Dizer que o amor pode começar como paixão é uma forma falaciosa de estabelecer uma continuidade entre uma e outra, geralmente pejorativa para o amor, que é entendido como um resíduo da paixão, uma consequência menos alterosa, mas mais profunda, menos excitante mas mais eterna. 



O amor começa pelo amor. É o céu. O céu foi criado primeiro. A paixão é um simples impulso físico, material, mensurável, explicável por todas as ciências da atracção. É o mar. O mar está mais perto de nós. Podemos chegar ao fundo dele. A diferença entre o amor e a paixão é como a diferença entre a cosmologia e a oceanografia. O mar tem fim, tem peso, tem vida. O céu não tem limite. O céu é dos astrónomos e dos poetas, que sabem que hão-de morrer sem percebê-lo. O mar é dos cientistas e dos observadores, que podem passar a vida dentro dele, sabendo que é finito e perceptível. O céu, como o amor, tem Deus acima dele. O mar, como a paixão, tem o Homem lá dentro. Compare-se o efeito que os anjos têm sobre nós com o que têm as sereias e perceber-se-á a distância entre a religião e a mitologia. A religião é uma coisa de Deus, do amor — a mitologia é uma coisa de pessoas-feitas-deuses, de paixão. 


Como coincidem tantas vezes amor e paixão, é preciso isolá-los para não confundi-los. Basta responder à velha pergunta, sem responder depressa, com as velhas mentiras com que nos enganamos uns aos outros: «Se essa pessoa só conseguisse ser feliz amando outra, seria capaz de desejar que isso acontecesse, custasse o que me custasse?» Só quem ama responderá que sim. Imediatamente. Porque o amor é claro, é inevitável e, para além do mais, é um dom maior, maior que o amor-próprio, uma dádiva que ultrapassa as privações e o sofrimento. 


Miguel Esteves Cardoso, in 'Explicações de Português' 



Ter o seu sorriso

                                                                                   E saberei acariciar as novas flores, 
                                                                                            porque tu ensinaste-me a ternura.

                                                                                                                                            Pablo Neruda

O que dizer do sorriso de alguém que amamos...que nos faz rir de graça mesmo nos momentos mais difíceis e tristes? Afinal nos constituímos de dias alegres e sem luz, de dias de sol mas também de ventanias, nesses dias é que percebemos onde estamos pisando e se podemos nos manter firmes para continuar a caminhada...assim me pego hoje ao ler esse poema de Pablo Neruda, feliz por um dia ter sido conquistada por esse sorriso...melancólica por ter uma saudade eterna de estar longe desse sorriso que guardo  aqui...só para mim!
Passamos mais um verão...assistimos mais uma lua cheia, sonhamos e rimos dos nossos sonhos, divagamos contando estrelas e planejamos um futuro que de tão difícil as vezes nos entristece...que consigamos vencer o baixo astral que nos contaminou nesse início de ano.
Que possamos viver nas quatro estações rindo...rindo muito de tudo isso!
                        Meu Sir...Te deixo de presente do meu mergulho de hoje esse lindo poema:
                               
                                                                             O teu sorriso
                                                                          Tira-me o pão, se quiseres, 
                                                                          tira-me o ar, mas
 
                                                                          não me tires o teu riso.
 

                                                                          Não me tires a rosa,
 
                                                                          a flor de espiga que desfias,
 
                                                                          a água que de súbito
 
                                                                          jorra na tua alegria,
 
                                                                         a repentina onda
 
                                                                         de prata que em ti nasce.
 

                                                                        A minha luta é dura e regresso
 
                                                                        por vezes com os olhos
 
                                                                        cansados de terem visto
 
                                                                        a terra que não muda,
 
                                                                        mas quando o teu riso entra
 
                                                                        sobe ao céu à minha procura
 
                                                                        e abre-me todas
 
                                                                        as portas da vida.
 

                       Meu amor, na hora
 
                       mais obscura desfia
 
                       o teu riso, e se de súbito
 
                       vires que o meu sangue mancha
 
                       as pedras da rua,
 
                       ri, porque o teu riso será para as minhas mãos
 
                       como uma espada fresca.
 

                                                             Perto do mar no outono,
 
                                                             o teu riso deve erguer
 
                                                             a sua cascata de espuma,
 
                                                             e na primavera, amor,
 
                                                             quero o teu riso como
 
                                                             a flor que eu esperava,
 
                                                             a flor azul, a rosa
 
                                                             da minha pátria sonora.
 

                   Ri-te da noite,
 
                   do dia, da lua,
 
                   ri-te das ruas
 
                   curvas da ilha,
 
                   ri-te deste rapaz
 
                   desajeitado que te ama,
 
                   mas quando abro
 
                   os olhos e os fecho,
 
                   quando os meus passos se forem,
 
                   quando os meus passos voltarem,
 
                   nega-me o pão, o ar,
 
                   a luz, a primavera,
 
                   mas o teu riso nunca
 
                   porque sem ele morreria.
 

Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda
 

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