segunda-feira, 13 de março de 2017

Ninho? Quando eles se vão...



Março chegou trazendo  despedidas e encerramento de uma história que poderia ser algo mais que uma simples história de amor, me pego pensando na DOR que me invadiu e que quase me leva a uma depressão sem precedentes...tudo acontecendo ao meu redor, fechamento de ciclo profissional, hormônios em ebulição, os filhos saindo de casa, o possível amor que revela não amar-te como você passou acreditar que sim e você tendo que ser forte para suportar a entrar em casa, agora vazia, todos se foram, como num passe de mágica...o silêncio e a tristeza se instauram e você se vê na sala em prantos e pensando: E AGORA? E AGORA?
Acho que ninguém está  preparado para as partidas das pessoas queridas, a primeira sensação é de abandono, descaso, lamento...apesar de termos consciência que nada é para sempre, que não podemos prender ninguém ao nosso lado, que o apego prejudica qualquer tipo de relação, ainda assim sofremos...e precisamos diluir essa dor para que possamos seguir em frente, a encarar a quietude como algo que nos irá fortalecer para o resto da vida...nesse turbilhão de emoções recebo esse texto tão leve e verdadeiro de um filho para sua mãe, forte e tão real em cada palavra e frase construída...que possamos transitar mais tranquilos por esse estado de encontrar seu "ninho vazio" e já não sofrer tanto quanto os primeiros instantes:


                        VISÃO DE UM FILHO SOBRE "SÍNDROME DO NINHO VAZIO"
 " O outro lado da síndrome do ninho vazio: Mães, Escrevo isto como filho que se doeu lendo textos sobre como vocês se sentiram quando nós, filhos, saímos de casa. A dor de vocês foi chamada pela psicologia de Síndrome do Ninho Vazio, mas a nossa ainda não ganhou nome. Seria um outro ninho vazio? Não sei, mas venho falar sobre os medos, as angústias e as delícias de sair do ninho para o mundo, lugar para o qual vocês nos criaram. Nosso primeiro ninho, o ventre materno, tinha tempo de estadia. Perto dos 9 meses, às vezes antes, nós sairíamos daquele lugar onde nada podia nos tocar. Nós, filhos, não lembramos da experiência de querer sair de lá. Imagino que, em um certo ponto, começamos a nos sentir apertadas e desconfortáveis. Talvez algum questionamento do tipo “Mas o que está acontecendo? Era tão gostosinho aqui antes!” tenha aparecido nas nossas cabeças. Quem sabe até uma mágoa: "por que ela não me dá mais espaço?”, assim ficaríamos mais um tempo por ali. Vocês, mães, por outro lado, não viam a hora de ver a nossa cara. Nosso segundo ninho, o lar ao lado de vocês, nunca teve limite de permanência. Vocês não nos empurrariam para fora jamais. Foi ali que aprendemos tudo: comer, falar, andar, agarrar mãos e objetivos, dar risada, ir ao banheiro, ler, escrever… tudo. Passamos por fases fáceis e divertidas, difíceis e intermináveis. Nós crescemos, vocês também. Assistimos a suas crises existenciais, aos conflitos com a idade, ao amadurecimento como mãe e à beleza de ser o que se é todos os dias. Vocês assistiram às transformações, às pernas crescendo demais, aos brinquedos aparecendo e depois sumindo da sala. Começamos a sair por aí nos nossos voos curtos. Deixamos vocês sem dormir direito diversas vezes, enquanto bebíamos em algum canto da cidade. Discutimos o motivo dos “nãos” para viagens para praia no carro do amigo do amigo da prima. Ficamos os dois desconfortáveis com as conversas que mães e filhos têm que ter. Mentimos para vocês e vocês mentiram para nós. Choramos num quarto, vocês no outro. Perto dos 20 anos, às vezes antes, às vezes depois, o ninho começou a ficar apertado de novo. Nossas vontades e sonhos não cabiam mais ali. Era óbvio que sairíamos um dia: para morarmos sozinhos, para um intercâmbio, para morar com uma amiga ou um amigo, com uma companheira ou um companheiro. A hora ia chegar, mas nenhum de nós sabia quando. Por fim, saímos, e o ninho ficou vazio. As primeiras noites, chegando em casa sem ter quem nos esperasse, foram estranhas tanto quanto para vocês. O beijo na testa antes de dormir fez falta, o cheiro do café quando saíamos do quarto prontos para fazer o que tínhamos que fazer, o lembrete para levar a blusa e o guarda-chuva. Mãe, eu continuo levando a blusa e o guarda-chuva. O arroz grudou, a roupa ficou mais ou menos limpa, coisas estragaram na geladeira, eu cheguei em casa tarde demais, dormi pouco, fiquei doente, te liguei perguntando como cozinhar alguma coisa e para saber como lavava a roupa direito. O amor, a essência da nossa relação, permanece igual. Mudaram os hábitos, a vida, o caminhar das coisas. Mãe, eu descobri que o ninho nunca foi um espaço físico; foi sempre o seu coração – e de mim ele nunca ficará vazio."

E VIVA SEU TEMPO DE REORGANIZAR SUA VIDA E SEUS AFETOS...NÃO TEM OUTRA OPÇÃO!


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