terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Catadora de conchas...



É sempre uma grande surpresa encontrar com as conchas e conchinhas que a maré do Indico nos traz, como adoro caminhar pela praia sou surpreendida com uma variedade imensa de espécies, de cores e tamanhos diversos, elas me fazem lembrar do livro “Presente do Mar” de Anne M. Lindbergh, onde a autora faz uma analogia entre as conchas marinhas e os aspectos da vida humana.
Logo que cheguei aqui a todo instante me lembrava desse livro, pois de repente me vi como se estivesse numa ilha, afinal ando de um lado ao outro e encontro o mar...e para mim estar numa ilha sossegada é um momento mágico de você poder se encontrar com você mesma, a princípio dei um longo  mergulho na melancolia e depois na apatia, vivia num ritmo frenético na cidade grande e pude aqui desacelerar, apreciando uma beleza que  só estando sozinha  é possível de se notar... o silêncio do vento, o barulho das ondas, o cheiro do mar, o sabor salgado do ar e simplesmente se aquietar nesse som que nos convida a ficar, e nessa quietude foi possível espreguiçar na areia, de forma exposta, aberta, sentindo seu calor e permitindo que a maré pudesse apagar as marcas do passado para assim poder viver outras histórias.
A cada caminhada um presente chegava até a mim...conchas de todos os tamanhos, cores e tipos...numa variedade de encher os olhos, a concha pera, onde um dia algum molusco já morou em seu interior, seu formato é de uma pêra, que se enrola num leve espiral até o ápice. Fico a imaginar quem a habitou e de que forma transitava com ela através dos mares. É tão bela na sua forma circular, perfeitos contornos branco amarelado. Me faz lembrar o tempo que passei me desapegando da minha casa e quando tive coragem de deixa-la pois precisava respirar novos ares, como o molusco, um dia parti da minha casa, uma vez para estudar, outra vez para casar e outra para descasar, agora para morar aqui...num grande esforço olho para o exterior dessa concha e para o meu interior, onde um dia um caranguejo eremita ousou deixa-la, onde um dia uma menina ousou mudar sua vida.

Não é fácil romper, partir é inevitavelmente doloroso, mesmo que seja por pouco tempo. E de repente me vi sem poder me locomover com a liberdade que havia conquistado um dia. Mas na medida que fui me adaptando pude estar aqui mais por inteira, assim vou aos poucos me locomovendo, é como se ao partir tivéssemos perdido uma perna, mas depois como a estrela do mar, ela cresce novamente. Sinto que estou muito mais inteira agora, em harmonia, muito mais do que antes, quando as outras pessoas tinham apenas parte de mim. “ Se não estamos em contato com nós mesmos, não podemos estar em contato com os outros”.
Assim lembro da concha- lua, com círculos em espiral se enrolando para dentro até seu núcleo pequenino, momento de focar no centro, no meu núcleo, de solitude, buscando forças em meu interior para resolver as demandas do exterior, as tantas solicitações em que passamos hoje para enfrentar o mundo competitivo do trabalho e sua relação na nossa vida pessoal.
Minha coleção de conchas vai crescendo e a cada caminhada, bons presentes chegam até a mim...imaginar que a dupla - aurora um dia foi única, quando seu molusco se foi ela se dividiu em duas partes, as vezes ficando presa por uma só parte, outras de desprendendo totalmente, ambas as partes são idênticas, quantas vezes na vida não temos que nos dividir em duas para atendermos a demandas diferentes?
Nesta semana que estou retornando para casa pude novamente apreciar minha pequena coleção que pretendo um dia levar para o Brasil, por enquanto ficará aqui a minha espera, deixo-as num canto para me lembrarem de cada momento que vivi aqui nesses 6 meses...
Longe de casa e agora tão perto das muitas histórias que fui vivendo nesse lado do Oceano Indico...

Um poeta e sua mãe

Maio ficou para traz mas não poderia deixar de registrar o presente mais sublime que recebi do meu poeta amado,  meu filho mais novo!  El...