terça-feira, 21 de março de 2017

Partiu! de tão frágil...partiu!

                        



 Numa semana marcada pela acentuação de descobertas em torno do querer...
          do ter...
                                    do confiar e se entregar,
             Percebo o quanto da busca por um amor de verdade nos imobiliza a alma e o corpo. 
           É quando já não se tem mais o que dizer nem provar, 
              quando se busca a todo custo provar o quanto de bem querer se tem
                                e ao mesmo tempo diante do fracasso de se provar ter que recuar,
                               de repente você se vê num campo de batalha 
                                     de ideias e palavras que vão perdendo o sentido 
                    na sua fugaz velocidade 
                  de representações e sentidos. 
            O que fica?
            O que sobrou?
            Havia amor?
          Ou era só vapor que novamente volta a ser Líquido.
Que troço é esse que não tem consistência?
Que se desmanchou feito "espumas ao vento".
Vazio
Tristeza
Dor!!!
Assim está o lugar que antes foi ocupado pelo dito
AMOR!





Bauman e a dificuldade de amar 

                                                                                          Anna Carolina Pinto

Zygmunt Bauman é autor de inúmeras obras com a palavra líquido em seu título. A noção de liquidez proposta pelo filósofo e sociólogo polonês, falecido no começo desse mês, é aplicada aos mais variados temas como a modernidade, o amor, o medo, a vida e o tempo, expressando a fluidez, isto é, a imensa facilidade com que estes elementos escorrem pelas mãos do homem moderno. A idéia, extraída de “O Manifesto Comunista” de Marx e Engels, vem da célebre afirmação de que tudo que é sólido se desmancha no ar e de que tudo que é sagrado é profanado: assim é a modernidade e sua essência que se alastra pela vida do homem moderno transformando-o não só como indivíduo, mas também como ser relacional.
O primeiro livro do Bauman que li foi “Amor Líquido” o qual, carinhosamente, valendo-me das palavras de Caetano, defino como “um sopapo na cara do fraco”, que me fez e faz, já que essa sorte de questionamento é constante, pensar na forma como nos relacionamos hoje em dia. Um ponto alto do livro, aos meus olhos, é o capítulo no qual Bauman fala sobre a dificuldade de amar o próximo destacando o modo como lidamos com os estranhos. Penso que nessa dificuldade é que se encontra a raiz de tantos dos nossos problemas seja na esfera pessoal ou pública. E é sobre isso que eu gostaria de refletir conjuntamente hoje.
Vivemos em uma sociedade fortemente marcada pelo conflito ser x ter na qual o homem passa a se expressar pelas suas posses, elementos definidores de sua própria identidade, o que reflete na busca por certa conformidade que ceifa a pluralidade de existências e segrega o que é diferente, estranho. O modo como as cidades se dividem é exemplo disso, os nichos considerados seguros são aqueles onde todos se parecem, exacerbando a nossa dificuldade em lidar com os estranhos que passam a ser evitados através de sistemas de segurança, muros, priorização de espaços que assegurem a conformidade de seus freqüentadores como os shoppings e etc. Evitar a todo custo o incômodo de estar na presença de estranhos, começar a enxergar naquele que sequer se sabe o nome um inimigo em potencial e desconfiar de tudo e de todos só é possível graças ao desengajamento e ruptura de laços para o sociólogo polonês.
Se levarmos em conta que amar outra pessoa não é amar o que projetamos nela e sim a sua humanidade e singularidades, não será difícil compreender que o amor é um desafio nos tempos de modernidade líquida. A busca pela felicidade individual nos transforma em tribunais individuais e, na disputa pela sentença a ser proferida, não raro, o que se vê é sair vencedor aquele que se recusa a ouvir o outro. Facilmente, pois, livramo-nos dos compromissos e de tudo aquilo que nos pareça incômodo. Ainda que tão agarrados a nós mesmos, paradoxalmente, é bastante comum que a solidão seja companhia (e problema) constante de quem vive a descartar.
Os muros que construímos ao nosso redor, físicos ou emocionais, têm mesmo esse condão de isolar e criar dois mundos em cada um de seus dois lados: o de dentro e o de fora. O último, espaço cativo dos que nos incomodam- aqui incluídos tanto quem nos relacionamos de forma íntima, quanto aqueles que preferimos distantes, inviabilizados de estar perto, enfim, aniquilados ao prender, matar, limitar a circulação, fixar em zonas periféricas e etc. É que Narciso acha feio tudo que não é espelho, já diria, mais uma vez, o sempre genial Caetano Veloso.
Dessas reflexões que vão (muito) longe e que, por ora, encerro aqui fica sempre uma mensagem muito clara para mim: amar (mesmo) é um ato revolucionário e só ama quem tem coragem o bastante pra lidar com esse desafio porque sabe que, por mais que nem tudo sejam flores, esse amor “sólido” é que nos impulsiona a querermos ser melhores seja como pessoa ou sociedade. Parece distante e utópico, mas está dentro de nós: ame profunda e verdadeiramente. Até quem você não conhece.
*Anna Carolina Cunha Pinto, colunista da Revista Prosa, Verso e Arte, escreve no primeiro e terceiro sábados do mês sobre suas percepções do mundo associando-as com conteúdos de Filosofia e Sociologia. Formada em Direito pela Universidade Cândido Mendes, mestranda em Sociologia e Direito pela UFF e apaixonada por filosofia.


segunda-feira, 13 de março de 2017

Ninho? Quando eles se vão...



Março chegou trazendo  despedidas e encerramento de uma história que poderia ser algo mais que uma simples história de amor, me pego pensando na DOR que me invadiu e que quase me leva a uma depressão sem precedentes...tudo acontecendo ao meu redor, fechamento de ciclo profissional, hormônios em ebulição, os filhos saindo de casa, o possível amor que revela não amar-te como você passou acreditar que sim e você tendo que ser forte para suportar a entrar em casa, agora vazia, todos se foram, como num passe de mágica...o silêncio e a tristeza se instauram e você se vê na sala em prantos e pensando: E AGORA? E AGORA?
Acho que ninguém está  preparado para as partidas das pessoas queridas, a primeira sensação é de abandono, descaso, lamento...apesar de termos consciência que nada é para sempre, que não podemos prender ninguém ao nosso lado, que o apego prejudica qualquer tipo de relação, ainda assim sofremos...e precisamos diluir essa dor para que possamos seguir em frente, a encarar a quietude como algo que nos irá fortalecer para o resto da vida...nesse turbilhão de emoções recebo esse texto tão leve e verdadeiro de um filho para sua mãe, forte e tão real em cada palavra e frase construída...que possamos transitar mais tranquilos por esse estado de encontrar seu "ninho vazio" e já não sofrer tanto quanto os primeiros instantes:


                        VISÃO DE UM FILHO SOBRE "SÍNDROME DO NINHO VAZIO"
 " O outro lado da síndrome do ninho vazio: Mães, Escrevo isto como filho que se doeu lendo textos sobre como vocês se sentiram quando nós, filhos, saímos de casa. A dor de vocês foi chamada pela psicologia de Síndrome do Ninho Vazio, mas a nossa ainda não ganhou nome. Seria um outro ninho vazio? Não sei, mas venho falar sobre os medos, as angústias e as delícias de sair do ninho para o mundo, lugar para o qual vocês nos criaram. Nosso primeiro ninho, o ventre materno, tinha tempo de estadia. Perto dos 9 meses, às vezes antes, nós sairíamos daquele lugar onde nada podia nos tocar. Nós, filhos, não lembramos da experiência de querer sair de lá. Imagino que, em um certo ponto, começamos a nos sentir apertadas e desconfortáveis. Talvez algum questionamento do tipo “Mas o que está acontecendo? Era tão gostosinho aqui antes!” tenha aparecido nas nossas cabeças. Quem sabe até uma mágoa: "por que ela não me dá mais espaço?”, assim ficaríamos mais um tempo por ali. Vocês, mães, por outro lado, não viam a hora de ver a nossa cara. Nosso segundo ninho, o lar ao lado de vocês, nunca teve limite de permanência. Vocês não nos empurrariam para fora jamais. Foi ali que aprendemos tudo: comer, falar, andar, agarrar mãos e objetivos, dar risada, ir ao banheiro, ler, escrever… tudo. Passamos por fases fáceis e divertidas, difíceis e intermináveis. Nós crescemos, vocês também. Assistimos a suas crises existenciais, aos conflitos com a idade, ao amadurecimento como mãe e à beleza de ser o que se é todos os dias. Vocês assistiram às transformações, às pernas crescendo demais, aos brinquedos aparecendo e depois sumindo da sala. Começamos a sair por aí nos nossos voos curtos. Deixamos vocês sem dormir direito diversas vezes, enquanto bebíamos em algum canto da cidade. Discutimos o motivo dos “nãos” para viagens para praia no carro do amigo do amigo da prima. Ficamos os dois desconfortáveis com as conversas que mães e filhos têm que ter. Mentimos para vocês e vocês mentiram para nós. Choramos num quarto, vocês no outro. Perto dos 20 anos, às vezes antes, às vezes depois, o ninho começou a ficar apertado de novo. Nossas vontades e sonhos não cabiam mais ali. Era óbvio que sairíamos um dia: para morarmos sozinhos, para um intercâmbio, para morar com uma amiga ou um amigo, com uma companheira ou um companheiro. A hora ia chegar, mas nenhum de nós sabia quando. Por fim, saímos, e o ninho ficou vazio. As primeiras noites, chegando em casa sem ter quem nos esperasse, foram estranhas tanto quanto para vocês. O beijo na testa antes de dormir fez falta, o cheiro do café quando saíamos do quarto prontos para fazer o que tínhamos que fazer, o lembrete para levar a blusa e o guarda-chuva. Mãe, eu continuo levando a blusa e o guarda-chuva. O arroz grudou, a roupa ficou mais ou menos limpa, coisas estragaram na geladeira, eu cheguei em casa tarde demais, dormi pouco, fiquei doente, te liguei perguntando como cozinhar alguma coisa e para saber como lavava a roupa direito. O amor, a essência da nossa relação, permanece igual. Mudaram os hábitos, a vida, o caminhar das coisas. Mãe, eu descobri que o ninho nunca foi um espaço físico; foi sempre o seu coração – e de mim ele nunca ficará vazio."

E VIVA SEU TEMPO DE REORGANIZAR SUA VIDA E SEUS AFETOS...NÃO TEM OUTRA OPÇÃO!


quarta-feira, 8 de março de 2017

Pecamos por excesso ou por falta?

Elogio do Pecado ...

Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza

você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.

É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa

Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.

Dia Internacional da Mulher...no meio de tantas mensagens bonitas me encontro com essa da Bruna Lombardi...Identifiquei-me de cara, quem pode mais com nós mulheres?
Ganhamos o mundo e aprendemos a nos defender, mesmo quando tentam a todo instante nos puxar o tapete...a nos diminuir e humilhar.
Escutei recentemente que nosso erro é amarmos demais, de sermos intensas, de lutarmos com garras e batons para conseguirmos nosso lugar ao sol...acredito demais que só existe esse caminho, de extrema valentia pelo amor, pela vida! Sem isso o que sobra?
Descaso? Desprezo? Desinteresse...não! Isso não constrói...só te leva pra baixo.
Assim termino o dia que foi escolhido para que honremos o fato de sermos MULHERES...que nos unamos cada vez mais contra esse opressor que a todo momento nos quer para baixo.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Cinza...vento...pó...



Em plena quarta-feira de cinzas, de um carnaval que não existiu, ao contrário, existiu, mas de forma inversa: em vez de alegria e risos, muita tristeza e lágrimas... mas que mesmo assim você acorda, levanta e percebe que o dia lá fora convida para um banho de mar, que a vida cá dentro pede limpeza e você decide em meio a dor se livrar de papéis, de fotos, de histórias que só enchem o ar de mais melancolia...assim me vi em pleno ritual de queimar, de transformar em pó o que já não representava mais nada e o Universo te manda através de um amigo distante essa mensagem de arrepiar e afirmar a veracidade do seu ato:



  • "Notai.

  •  Esta nossa chamada vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó: do pó que fomos ao pó que havemos de ser. 

  • Uns fazem o círculo maior, outros menor, outros mais pequeno, outros mínimo. 

  • Mas, ou o caminho seja largo, ou breve, ou brevíssimo, como é círculo de pó a pó, sempre e em qualquer parte da vida somos pó.

  • Quem vai circularmente de um ponto para o mesmo ponto, quanto mais se aparta dele tanto mais se chega para ele; e quem quanto mais se aparta mais se chega, não se aparta.

  • O pó que foi nosso princípio, esse mesmo, e não outro, é o nosso fim, e porque caminhamos circularmente deste pó para este pó, quanto mais parece que nos apartamos dele, tanto mais nos chegamos para ele; o passo que nos aparta, esse mesmo nos chega; o dia que faz a vida, esse mesmo a desfaz.

  •  E como esta roda que anda e desanda juntamente sempre nos vai moendo, sempre somos pó."                                                                     (Sermões de Antonio Vieira de 4a.feira de cinzas no ano de 1672).


  • Um texto escrito em pleno século XVII e que no momento oportuno ganhou uma força mágica,impressionante, a pura confirmação do que eu precisava me desfazer e assim quem sabe prosseguir na minha história atual, tão linda, emocionante e cheia de luz, que por um desencanto momentâneo passou da luz as sombras.

  • Que esse pó que o vento marítimo levou se transforme em pequenas partículas da mais pura poeira cósmica...intangível e desprezível.
  • Que possamos transformar a dor e a dificuldade em algo valioso para o resto das nossas vidas.
  • Que o vento leve o que não nos faz bem!
  • Que as ondas do mar nos tragam a beleza do eterno existir com graça e leveza.
  • AXÉ!!!
"Quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge, triunfante e bela...Novas folhas, novas flores, na infinita benção do recomeço." 
                                                                                                                         ( Chico Xavier)




Curtir

VEM

O abelhudo e a exibida                         ou o pintor e sua obra Me encanto quando me invade assim Meio sem jeito, mei...