quarta-feira, 10 de junho de 2015

Fim da estrada, fim do caminho


É o fim!
O fim dos sonhos utópicos!
É o fim das noites no qual tentávamos sonhar
É o fim da magia e dos livros esotéricos.
É o fim dos psicotrópicos que você tomava para sonhar.
É o fim da insonia, do stress, da procura por carinho.
É o fim da angustia que tira o desejo de ir mais além.
É o fim da dor
É o fim das dores mal curadas
É o fim da madrugada que não acaba.
É o fim da terapia e dos livros de auto ajuda.
É o fim do remédio que já não alivia a dor.
É o fim!
É o fim da dor que machucava
                                            da tristeza que perdurava
                                                         do choro que dilacerava.
É o fim da alma que agora sossega
                                       e do azedo que agitava.
É o fim da taquicardia que insistia em se acomodar.
É o fim do sofrer
                          sem por que...
                                                           É O FIM!





sábado, 23 de maio de 2015

VER O QUE SINTO

Quem me vê assim falando
Não sabe nada de mim
dentro de mim mora uma louca que me acorda a noite
Dentro de mim mora uma santa que me acorda nas manhãs
Ambas falam, vociferam
Ambas querem decidir os caminhos que preciso seguir
As escolhas que preciso tomar
Uma gosta da luz
Outra gosta da sombra
Uma me quer rindo
Outra me quer lamentando.
E eu? como me sinto?
Quem me governa?
O coração lembra e lamenta
O pensamento lembra e agradece sorrindo.
Estás melhor agora
Não se iluda moça...já não há janelas de espera.
Como me vejo? O que sinto afinal?
Não há como ver o que vejo
São só imagens  de mudanças
Afinal o vazio permanece
Vazio de sonhos
Vazio de ideias e desejos...

Va
    zio...rio!





 "Como me sinto?
Como se colocassem dois olhos sobre uma mesa e dissessem a mim,
a mim que sou cego: isso é aquilo que vê, essa é a matéria que vê.
Toco os dois olhos sobre a mesa, lisos, tépidos ainda, arrancaram há pouco, gelatinosos, mas não vejo o ver.
 É assim o que sinto tentando materializar na narrativa a convulsão do meu espírito, e desbocado e cruel,manchado de tintas,essas pardas escuras do não saber dizer,
 tento amputado conhecer o passo,cego conhecer a luz, ausente de braços
 tento te abraçar."

 ( Hilda Hilst) 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

A vida segue...SEMPRE!

Vida que segue...que passa.
Costumo brincar dizendo "virar a página" ou a "fila andou".
Bom saber que anda mesmo e quem fica parado perde o trem.
Mesmo que se pegue o trem errado pode-se descer na próxima estação, o que não se pode é ficar PARADO!
Delícia de existir e perceber as mil possibilidades de se dar a volta por cima e continuar respirando, de acordar e já ter esquecido as dores do dia anterior.
Por que as pessoas insistem em viver na eterna queixa?
É como se queixar fosse moda!
Percebo nas reuniões de diversos grupos que as pessoas se mobilizam muito mais quando ouvem lamentos, reclamações ou fatos negativos. A impressão é que vivemos eternamente desejando sempre que o outro esteja mal, que o outro não possa estar bem e assim vamos alimentando uma satisfação no olhar do outro, ao perceber que o fato de você não estar bem indica que ele pode estar melhor do que você!
(pintura de Mariana Palova)

Uma atitude bastante preocupante diante do mal estar da civilização...é como se alimentássemos um grande dragão que vive da negatividade do mundo, guerras, destruições, mortes, traições, assassinatos...
Onde será que tudo isso começou?
Será que tem um fim? Ou o final é sempre em si mesmo?
Penso que as religiões tem uma parte de culpa ao pregarem o medo do castigo, ao alimentarem a insegurança e o cultivo de mentes fragilizadas pela covardia do ser humano...
Precisamos mais do que antes nos fortalecer para enfrentar essa pseudo vontade de uma ajuda que só cabe a nós mesmos descobrir e fazer bem uso dela.
Lembrando o que escreveu o H. Jackson Brow Jr:

"Daqui a vinte anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte suas amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra."

Hoje foi um dia pra lá de especial, pude falar contigo, tive notícias de além mar, encheu meu dia de luz e alegria saber que está bem e se cuidando! 

Grande beijo bom para você que me acompanha sempre, daqui do outro lado da Terra cresce e se fortalece minha coragem que um dia você me ensinou a ter quando me ajudou a soltar minhas amarras.
Que possamos sempre cultivar o bom olhar sobre o outro...que possamos sempre alimentar o mundo da nossa boa energia e pensamentos...que possamos contaminar o mundo com o mais puro e pleno AMOR!
(pintura de Sergio Cerchi)


terça-feira, 19 de maio de 2015

Sorrir sob a magia de uma câmera


                            
"Conhecemos um homem pelo seu riso; se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente." 
                                                                                         ( Dostoiévski)

Sempre desconfiei disso 
na súbita intuição arrisquei acreditar nessa ideia 
mais do que antiga e atemporal.

Não acredito num Deus que não queira nos ver sorrindo
Não acredito num Deus que não queira nos ver dançando
Assim inicia um prefácio de um livro com uma frase do Nietzsche
                 " Só acredito num Deus que saiba dançar"
Só posso crer na vida com alegria e muitos dias de sol...

Cansei de desperdiçar água 
Cansei de sofrer por algo inominável.
          Hoje eu só quero sorrir
                 Hoje eu só quero alegria
                          Deixei a tristeza de lado
                                   Mandei a saudade embora...já dizia alguém!

                                                  Bom sorrir com você!

Percorremos territórios distintos
Trouxemos palavras mágicas, de fascínio e encanto
Mas também bolachas e cascudos
Que viraram rusgas, equívocos, mas também cuidado e aconchego.
De um abraço terno e carinhoso fez se fel e espinhos
Mas no exercício da liberdade de entender
Transformamos cada instante num eterno ir e vir de novas descobertas.

                                                   Bom vê-lo sorrir!

Vejo-me leve ao seu lado
Embora ainda me equilibrando na corda bamba.
Vejo-te leve ao meu lado
Embora trabalhando a paciência e tolerância.
Assim vamos crescendo e aprendendo a dar e receber limites.

                                                  Bom voltar a sorrir com você!

Nossa história tem surpresas...
Transitamos por espaços contraditórios, mas complementares.
Hoje controlo meu estado ansioso
Hoje espero seu tempo agitado
                                                     
                                             Bom rir e esquecer de tudo!

Feliz que estamos nos permitindo à proximidade 
Que seja um tempo de semear 
Que possamos viver a colheita
E novamente rir mais uma vez da VIDA
Que nos prega  PEÇAS
                                    A cada virada de esquina,
                                    A cada porta aberta
                                    A cada página virada...

O tempo vive a nos dizer
Que breve chegará 
A época de colher as flores que foram semeadas.
                                                                   
                                            Bom sorrir com você! 

" O riso é eterno, a imaginação não tem idade, os sonhos são para sempre.”    W.Disney


domingo, 3 de maio de 2015

ALFORRIA

        Bom amanhecer com uma poesia tão bela como essa...linda resistência de uma flor que se transforma...



RESISTÊNCIA DA FLOR
                                           ( W.D. Cavalcanti)
Flor que não seca - ela,
zelosa de ser amor sem fim,
senhora da boa morte
e da vida,
cachoeira de nobreza
onde se banham silêncios e sombras
de recôncava história
ovulada no negro do tempo
em seu profundo leito.

Sempre viva a mãe
que guardou a liberdade
- do filho fugido -
em sagrado segredo,
cobrindo-se de luto e sangue,
de vermelho e negro,
com a joia da fé
incrustada em seu peito
- vitória da esperança
no amaro do desterro.

Sempre viva a flor
que, arrancada de sua terra, não murchou
nem morreu de medo
e enfrentou a morte
e se adornou na dor
para fazer vingar a vida
em seu justo desejo.

Sobre seu colo,
em seus pulsos,
nas orelhas,
em seus dedos
o ouro honra o mérito
e é sempre pouco
para tamanho feito.

Sempre viva
a que deu alforria
ao seu amor.

Maio chegou para celebrar a vida...a delícia de amar e ser amada, sem amarras, uma sempre VIVA que se libertou!

sábado, 2 de maio de 2015

LIMITES DO AMOR

O universo conspira quando buscamos respostas ou consolo para o que sentimos ou desejamos, assim me chegou essa poesia hoje, ela fala do meu momento em que me liberto definitivamente de uma história que me trouxe alegrias mas também muita dor e tristeza, uma fase de amor ilusório, que me aprisionou numa teia de lembranças e sonhos...mas que felizmente chega ao seu final!

                      LIMITES DO AMOR
                          ( Affonso Romano de Sant'Anna)
Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeço de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.
O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, sem empecilho.
É claro que isto é bom e, as vezes, sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:
- ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Um breve adeus...



Te vi de longe no Farol
Parada fiquei  olhando e captando a energia daquele momento,
se passaram seis anos desde a ultima despedida,
Tanto para se dizer, tanto para não dizer.
O tempo deixou marcas, você mais envelhecido,
encurvado e sem o brilho no olhar que um dia me encantou e
me fez viajar por lugares mágicos.
Agora tudo acabou, a paixão, os sonhos, a doçura de antes.
Somos dois estranhos com  lembranças boas.
Temos memória na pele que insiste no contato.
Nos tocamos, mas não é como antes...
O desejo é vazio, se acaba nas palavras.
A vontade de estar junto transforma o estar ali em meros toques de pele.
Trocamos palavras sem sentido, sem importância
A vida me trouxe surpresas...você me teve e a revolucionou.
Agora vejo o partir e voo para longe de ti.
Já não há mais nada a dizer, nada a sentir só o vazio da existência em comum.
Gratidão terei sempre a ti
Me libertou duas vezes das minhas amarras
Agora seguimos, eu com minha vida tranquila e intensa
Você com suas escolhas tumultuadas e cheia de fantasias de um bom viver.
Não caibamos mais um no outro...
Voamos por tempos e espaços distintos.
Vai em paz moço, o mundo a ti pertence!


“Eu não sabia o que na madureza aprenderia: que todas as coisas quando acabam são substituídas por outras, que a vida não se reduz, mas cresce. E é em tudo um milagre.” (Lya Luft)

domingo, 26 de abril de 2015

O PODER EM NÓS: o que você diria aquela pessoa se pudesse voltar atrás?

Recebi esse texto de um site da internet "Obvius" da autora Vanelli resolvi  dispor ele aqui pois descobri que ela fala de um tema que insisto em reafirmar e que aprendi na magnitude da vida:
O PODER QUE CARREGAMOS EM NÓS E DESCONHECEMOS...
                                        Destaquei trechos que mais gostei...

"Todos temos em nós um poder mágico que pode transformar nossas vidas e a daqueles que amamos

Quando se deitam muitos fazem uma oração, tantos outros gostam de ler. Há os que fazem planos para o próximo dia ou ainda os que desmaiam de sono.
Eu particularmente gosto de exercitar o dom dos bons pensamentos.
O pensamento vibra alto e vai longe. Ele atravessa cidades, estados, países, mares e continentes.
Através da imaginação podemos idealizar o som das folhas rodopiando em um chão de pedra, o canto dos pássaros, a cor das portas de madeira, o cheiro da lenha queimando e abrigar os que amamos confortavelmente em nós.
Em pensamento podemos conversar com profundidade, ditar palavras esquecidas, sussurrar confidências que não foram trocadas, reencontrar os que nunca voltaram ou ouvir aqueles que perderam a voz.
O que você diria para aquela pessoa se pudesse voltar atrás? O que faria se ela estivesse em sua frente? Você seria consolado ou consolaria? Como seria se você reencontrasse todos os que se apagaram no tempo?
Um ótimo exemplo está lindamente retratado na cena do filme “Comer, Rezar, Amar” na qual Liz, a personagem interpretada por Julia Roberts, depois de alcançar uma compreensão profunda sobre si, relembra o dia de seu casamento. Na ocasião o noivo ignorou a música do casal e colocou uma só para ele, dando assim um show de exibicionismo. Liz tem então uma visão mental do que poderia ter sido e passa a vislumbrar o ex-marido. A música certa começa a tocar e eles finalmente conversam carinhosamente e com sinceridade sobre seus sentimentos.
Um bom diálogo mental, sincero e verdadeiro, pode melhorar as nossas vidas
e tocar a daqueles em quem pensamos.
Através do pensamento vibramos resolução, compreensão e amor.
Em pensamento podemos alcançar os porquês incompreendidos,
admitir o que sentimos, ouvir atentos o que o outro tem a nos dizer
ou pura e simplesmente desejar o melhor em um exercício mental
que incita o autoconhecimento.
Em outra cena de “Comer, Rezar, Amar” Liz dá como presente
de casamento à jovem Tulsi um pensamento feliz e harmônico acerca
dela e do noivo que lhe foi arranjado. A moça estava triste com a
união e Liz diz que a mentalizou sorridente e plena junto do
futuro marido. A jovem indiana fica tocada pela crença em si
e em sua felicidade.
Que presente mágico esse não?

Ame. O amor emana, transcende e no pensamento cria asas e voa alto.
Dê aos que lhe são queridos esse presente mágico.
Pense neles em um cenário encantador.
Um lugar que seria exatamente onde gostariam de estar.
Abrace em pensamento.
Parabenize em pensamento.
Visualize o semblante feliz dos que te cercam.
Tudo que toca o plano da imaginação
encontra um campo próspero para se concretizar na  na realidade.
Não nos cabe mais desculpas como “Não tenho nada para te dar, pois você já tem tudo”
ou “Eu estou quebrado, não posso te dar nada”.
Alguns minutos de olhos fechados e pensamentos belos podem fazer a diferença.
E esse presente, dinheiro algum consegue comprar.
Todos podemos muito, basta que acreditemos e pensemos nisso.
A propósito, você já sabe o que vai pensar hoje antes de se entregar ao sono?"

segunda-feira, 20 de abril de 2015

No passo, passarei? passamos!


                              
                                                                      Viver a vida é...
É ter paixão por coisas simples
É aceitar o mundo exterior e tê-lo como fonte de inspiração.
É saber reconquistar, pois a conquista é algo muito fácil.
É ter uma visão de mundo e absorver coisas boas 
É ter um grande amor, uma grande paixão, uma grande amizade.
É estar de bem com a vida.
É poder amar e viver bons momentos.
Disso se valem os dias, as horas
Imaginar que perdemos tanto tempo brigando por nada
Queixas em vão
Projetos sem sentido
Quando o mundo lá fora nos reserva tantas possibilidades
Lembro da ultima vez que me apaixonei perdidamente
Ele apareceu inesperadamente e eu fiquei por duas horas a conversar, a saber da vida
Histórias trocamos e fomos nos permitindo o encontro
Jamais esquecerei do que passamos, vivemos e experimentamos
E o que foi diferente? 
Só se deixar levar pelo instante e viver...simplesmente viver a beleza de um instante que durou a eternidade que poderia durar.
Hoje um doce amor do passado
Hoje um amor que foi meu e seu!
Hoje a certeza que podemos encontrar um amor e ser feliz...infinitas vezes
Só ter a tranquilidade de desejar estar disponível para esse encontro de alma e de corações!
Te amei muito amor meu...
Te amarei sempre amor meu...
E amarei novamente outros...até a eternidade de um novo amanhecer!
Assim passamos, passaremos  no meu passo!

                                          “O correr das águas, a passagem das nuvens,                        

                                  o brincar das crianças, o sangue nas veias. Esta é a música de Deus.” (Hermann Hesse)

                                                            (pintura de Eugenijus Konovalovas)

Estradeiro... faz o caminho ao viajar


Pela primeira vez na estrada sozinha
                                                                             Ao volante
                                     Eu e o carro
                                                               O carro e uma longa estrada
Atenção redobrada  as placas...informes
Carros e transportes.
A fragilidade diante de um suposto acidente apavora
A velocidade por cada meio que te passa assusta
Enfrentar o inesperado numa cortada te arvora
Senti falta da companhia
De lembranças passei a tantas viagens que fiz ao lado de um companheiro
Planejávamos desde o roteiro até o repertório musical
Tudo era monitorado, tempo, distancia, quilometragem, gastos
Paradas e lanches
No que nos perdemos?
Onde deixamos esses instantes serem esquecidos?
Loucura de vida que nos rouba  experiências maravilhosas
Sentimento de ausencia vivida
Vontade de voltar ao tempo e refazer caminhos
Quem nos tirou isso?
Ai daquele que não viveu longas viagens
Hoje, era uma estrada e uma passageira ansiosa
Medo de não conseguir chegar...vontade de estar em algum lugar.
Estar na estrada na mudança do dia para a noite é indescritível
O dia vai embora matizando o ceu de cores...lindo porvir
O sol se poe e pelo retrovisor chega pequenas luzes brilhando
Em instantes há um tapete que pisca lá em cima!
E de tanto apreciar sua beleza esqueço de chegar ao meu destino e sigo
Me vejo perdida sem acreditar que passei da paragem
Mais estrada...mais caminho a percorrer até o lugar que me espera
Foram horas de solitude e inquietação ao volante
Foi um tempo de concretização de um sonho
Agora sei que nada me detém...irei em frente, um pouco mais a cada vez
Sempre um porto a minha espera, um desafio a ser vencido e o melhor: saber que para cada ida há sempre uma chegada!






quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Dor que teima em viver

                                         Afinal o que seria da vida sem a morte?
"Todos os homens são mortais" um livro escrito por  Simone de Beauvoir, fala sobre a necessidade da vida  nunca acabar, com um elixir da imortalidade, um personagem torna-se imortal e tem que conviver com o que ele perde na vida em séculos de existência...um livro que nos faz crer da importância de encerrar etapas, de terminar algo para poder novamente ter um outro começo...
Hoje me vi pensando no momento da minha vida, em que preciso mais uma vez encerrar uma fase, em que preciso enfrentar o luto da perda de algo que parecia grandioso mas que perdeu o sentido diante da decepção momentânea...é como se de repente você colocasse toda a sua energia na concretização de um desejo e as respostas que o universo te dão são sempre nebulosas e negativas, você então se vê perdendo energia, vitalidade e a cada morte diária uma lágrima que se perde e nunca mais voltará...até que um milagre acontece, algo faz com que você acorde e chute o balde do que era um sonho para bem longe! Dói perceber isso...dói por dentro, dói por fora!
É quando o sonho vira um pesadelo e você só precisa acordar e encarar que está tudo errado
Não dá para aceitar que tudo tem que ser com dor pois a vida é bela!
E realmente  nem tudo tem que ser dor!
Assim me vi conversando com um poeta que transita pelo espaço que convivo
Ele se livrando da dor da separação de seu par
Eu lembrando das minhas separações
Ele me convencendo que nem tudo são flores e que o ódio e a raiva destroem a beleza da vida
Eu lembrando que se existe ódio é por que ainda existe amor
Ele me falando da necessidade de evoluirmos trilhando caminhos de pedras, paus e pregos
Eu lembrando que essas pedras é que nos deixam fortes para prosseguir...
Prosseguimos trocando ideias, palavras, conforto...
Recebi seu poema que fez para registrar a marca da dor que lateja:
                                                 Dor viva

Ah! Mas essa dor da vida que me devora !

Poderia se curar com o passar do tempo

Mas o tempo me devora mais e mais

Nas manhãs cinzentas ela fica mais intensa

E ao anoitecer ela me traga

E aguardo que a vida me regurgite

Sem dor, Sem fome ou velhice!

Patric Adler

Bem devagar...devagarinho o tempo vai trazendo luz para essas dores, o tempo e o acalmar do espirito vai nos fazendo clarear o que antes era só um lugar escuro e triste...
De uma coisa temos certeza, o sol brilha a cada amanhecer do dia!
Que venha o novo tempo!



domingo, 8 de fevereiro de 2015

“ Não se esqueça de mim...não se esqueça de nós!”*


Era uma vez um moço que vendia suas mercadorias na rua,e uma moça que tinha uma loja. Todos os dias ele passava na porta da loja, um dia a moça o viu,observou-o e o achou parecido com alguém que ela conhecia, ficou impressionada e desejou conhecê-lo...tanto desejou que o conheceu, trocaram idéias, conversaram sobre a vida, sobre a morte, sobre tantas coisas que a moça  convidou-o para almoçar e tomar um café, tanto conversaram que a moça resolveu convidá-lo para trabalhar na sua loja alguns dias da semana e ele aceitou, a moça gostava do jeito de ser dele e das suas histórias, o moço vinha de longe, tinha atravessado o oceano e parte do continente para estar aqui, era um andarilho, um caminhante que fez seu caminho com muito suor e dores, a moça gostava de ouvi-lo e também de contar suas histórias, entre eles havia amizade e cumplicidade, muitas pensavam que fossem  um casal, mas nada havia entre eles a não ser um grande trabalho a fazer e muitas histórias a contar, tinha dias que a moça se encantava com sua disposição para o trabalho, outros ela se aborrecia pelas exigências que ele fazia e ela não podia atendê-lo. O moço trazia novas idéias, grandes planos, as vezes eram possíveis outros foram esquecido, por conta disso ele se zangava e batia a angustia, mas depois acalmava pois sabia que o tempo iria colocar tudo no seu devido lugar. Ambos sabiam e sentiam que não haviam se encontrado ao acaso, ela se sentia responsável por ele, e ele correspondia protegendo-a, cuidando para que tudo ocorresse da melhor forma...
Mas o moço sentia falta da rua, das pessoas, do seu momento de inteira solitude no seu labor e de produzir o seu sustento, nesses momentos ele saia fora e a moça  não  gostava dessa atitude...o tempo passou, a loja foi ficando com a cara do moço e da moça, mas ainda ele não estava feliz, assim a moça disse para ele que era melhor mesmo ele seguir seu caminho, ambos não podiam se responsabilizar tanto pela felicidade do outro, ele um ser do mundo, ela uma pessoa de raízes, pertenciam a mundos diferentes mas tinham  uma amizade a preservar, um respeito pelo jeito de ser de cada um em especial.
 A moça disse para ele “não se esqueça de mim...pois não esquecerei de você”, ela lembrou que o tempo que passou trabalhando com ele aprendeu muito, e ele agradeceu tudo que puderam fazer juntos e de como ela o acolheu.
Hoje a moça sente falta dele, mas sabe que a sua loja era uma gaiola para ele, hoje ela não sabe mais dele mas vai esperar sempre que ele apareça, pois juntos sempre dão risadas, contam histórias e passam o tempo como bons e grandes amigos...


            ( tela presenteada pelo artista EuMatheus, simbolizando o moço e a moça)
                                          * Música do compositor e cantor uruguaio Daniel Drexler.
                                     
                                      De todo esse tempo, ficaram muitas coisa mas na mochila só...
        Bjos !

QUE POSSAMOS APRENDER A SER AUSÊNCIA...A SILENCIAR!

Sempre penso que precisamos   silenciar o corpo e a mente para podermos organizar a vida, as emoções o pensamento, quando era criança costumava me isolar em lugares secretos para pensar, nem tinha ideia que aquele aquietar era que me permitia continuar em frente nas minhas atividades...Mas na vida corrida atual essa é  uma difícil tarefa, onde mal conseguimos ficar indiferente a tantos meios de comunicação, sempre há alguem para nos achar, para nos falar...e vamos acumulando problemas...assim me descubro podendo falar sobre esse tema ao ler o texto abaixo, escrito pela Fabíola Simões "A palavra é prata, o silêncio é Ouro".
Deixo-o aqui registrado para que possamos sempre valorizar e refletir sobre essa necessidade de escuta interior. Que possamos aprender a ser ausência.Que possamos nos voltar para dentro, como a lagarta que se fecha em uma rede, no estado de crisálida para depois alçar o voo como borboleta!



          "Sobre a dificuldade de silenciar, ou simplesmente ser silêncio..."

Quando eu era menina, minha mãe tinha aquele hábito do interior de dizer: "Moça boa não deve ser arroz doce de festa..." Era pra gente se resguardar, valorizar a imagem, não ser presença batida nos bailinhos, não ficar cansativa demais. Mas naquele tempo o perigo era ser enjoativa só no fim de semana; hoje a coisa debandou de vez: Toda hora no instagram, todo tempo no feed de notícias, cada segundo no whatsapp. Impossível fugir, difícil não ser encontrado, improvável desintoxicar.
A vida é barulhenta. Dentro ou fora de nós, nada se aquieta. Queremos nos comunicar, exigimos respostas na velocidade de super-hiper-mega bytes, contabilizamos "notificações", desejamos ser cutucados de volta. Sem perceber, desaprendemos a silenciar. Desaprendemos a suportar a voz que cala e sofremos com a falta de respostas. Desaprendemos a ser ausência.
De vez em quando é necessário ser silêncio. Habituar-se à própria presença, inteirar-se de sua solidão. Comunicar tudo sem dizer nada.
A gente vive certo porque errou um dia. E silencia quando entende que todas palavras foram ditas. Porque de vez em quando, aquilo que conserta é aquilo que cala ou ausenta. O nada que diz tudo. Quando o verbo é equívoco, o silêncio é corretivo.
Mas não pode ser um silêncio forçado. Daquele tipo que quer chamar a atenção. Tá cheio disso por aí... De gente que anuncia a saída. Que exclui um amigo por desconforto consigo próprio. Que usa o silêncio como arma, a fim de manipular o outro. Não é por aí; falo de silêncio pra serenizar a alma, proteger o espírito e encontrar o caminho de volta.
Preste atenção. Se você está cheio de barulho dentro de si, se seus pensamentos já não são mais seus e sim uma mistura daquilo que ouve, engole e não digere todos os dias; se seus sentimentos estão todos embaralhados e da boca só poderia sair desespero e desesperança, se seu amor-próprio ficou tão reduzido a ponto de só falar de suas carências, se tudo o que você quer é rastejar por mais uma chance, suplicar por mais uma mudança... então cale-se. Saia de cena e espaireça um pouco. Apenas respire... Conte até dez, tome um café, desligue o celular, não abra o laptop. Fácil não é. Qualquer nova escolha requer tempo para tornar-se hábito. E você precisa aprender a se resguardar. A diminuir o foco sobre si mesmo.
Porque são tempos difíceis. Todo mundo fala, todo mundo posta, todo mundo curte. Todo mundo aparece_ de frente, de perfil, de costas, sorrindo, triste, indignado. E então você percebe que ser #todomundo não é sua praia. E sente falta do tempo em que as coisas eram mais simples.
Suportar o próprio silêncio _ quando tudo o mais já foi dito_ e sair de cena pra vida continuar, é quase como curar-se de um vício. Mais ou menos como engolir o choro, do jeitinho que você fazia quando era pequeno e seu pai vinha com aquela: "Engole o choro!" lembra? Então você engolia e ele descia engasgado, duro dentro do peito.
O que seu pai queria é que você tivesse autocontrole, entende? E é isso que você precisa agora pra seguir em frente quando tudo o mais virou equívoco. No fundo, no fundo, o que a gente gostaria é que nosso silêncio fosse produtivo, que gerasse bons frutos (do jeito que a gente imagina serem "bons" os frutos...). Mas e se na verdade quem deveria mudar fosse você? E se o silêncio viesse pra lhe ensinar e não "comunicar" apenas aos outros?
Então anote: Autocontrole e silêncio. E se está difícil ter autocontrole, se sua vontade é pegar o telefone agora e discar aquele número fatídico, se sua mão coça de desejo de postar um álbum de fotos no facebook ou no instagram, se as mensagens não param de chegar no celular exigindo uma resposta... apenas respire. Respire e ore, respire e durma, respire e disque outro número, respire e desvie o foco.
Desaprendemos a seguir o conselho de nossas mães porque o mundo mudou. E de tanto desobedecer, nos tornamos reféns da ansiedade, do imediatismo, do "tudo ou nada", do "agora ou nunca". E agora precisamos de um aplicativo que nos salve de nós mesmos. Ontem descobri que já existe_ chama-se "Self-control". Ideia genial, diga-se de passagem. Porque no fim das contas, autocontrole é raridade. E contar com um aplicativo que faça como seu pai, que lhe mande "engolir o choro" e o ajude a reencontrar aquele que hoje se mistura ao #todomundo, é encontrar um tesouro. Procure, baixe, aprenda, use. Shhhhh... E Boa sorte!



domingo, 1 de fevereiro de 2015

Deter um instante...

             "Tanta a febre de deter o instante e sempre os rios a correrem (enchente ou vazante)" 
                                                                                                                    (Astrid Cabral)

O ano começou, forte e intenso como deve ser o correr dos dias.
Em meio a conflitos pude verificar o poder de deter o tempo com amor, conseguir apaziguar dores de um coração sofrido, fechar o balanço de um ano que foi severo nas esperas mal findadas, compartilhar um momento de pleno amor na boda de um filho querido...
Tomado o grande cálice de fôlego, plantar...
                                                   plantar...
plantar para colher o que não foi ainda  semeado...
No calor do verão, acolher quem chega no nosso Porto...acalentar quem precisa de atenção e carinho, cuidar da alma que verte água de dores antigas...assim seguimos no tempo e recebemos fevereiro!
Como um dia registrou sabiamente o nosso poeta  Carlos Drummond de Andrade...
                                                Saldo do mês de Janeiro
É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.
Que no fim do mundo aja sempre um outro começo
Que nossa mãe das águas salgadas nos banhe com mais e mais força para o novo que chega e o velho que precisamos cuidar, seu mês é marcado pela renovação dos afetos e fortalecimento das relações...que sejam novos instantes de grandes conquistas...Vamos saudar Iemanjá!

sábado, 24 de janeiro de 2015

Tempo de mudanças...tempo de reflexões

Fechar um ciclo...encerrar um tempo, assim somos marcados ano após ano!
Curioso perceber que acumulamos esperanças de melhores dias assim que o ano finda, é como estar renovando votos e projetando mudanças...2014 foi um ano de muita luta, de plantar boas sementes para que deem frutos nos próximos anos...foi um ano de muitas mudanças, internas e externas, na alma e no coração, na mente e no corpo e para brindar esse ano que começa já a todo vapor uma bela poesia de Ledo Ivo que um dia Cota presenteou Migo...pra lembrar que nada como a passagem do tempo para marcar as necessárias transformações!


A mudança Mudo todas as horas. E o tempo, sem demora, muda mais do que fia.
Mudo mas permaneço bem longe das mudanças. Como uma flor, floresço. Sou pétala e esperança.
Mudo e sou sempre o mesmo, igual a um tiro a esmo. Como um rio que corre.
Sem sair de onde estou, de tanto mudar sou o que vive e o que morre. - Lêdo Ivo, in "Plenilúnio", 2004.

,                                                              FLANANDO EM ESSEPÊ                                                           ...