terça-feira, 2 de dezembro de 2025

                                                           FLANANDO EM ESSEPÊ

                                                                         (Parte 1)

 

                                                                                             ( Marc Chagal)

Num  passado longiquo um poeta de codinome Baudelaire deu um sopro de arte ao termo “flâner”- vagar sem destino, o “Flaneur” como o observador da vida moderna. Já o filosofo alemão Walter Benjamim, escreveu que o “flauner”é alguém que contempla e decifra sinais que passam despercebidos por quem está apenas se deslocando. Mais adiante  Bartolomeu Campos de Queirós, escritor mineiro,  dizia muito sobre ‘ler a vida’.

                       "Você não precisa de um livro para ler. Pode ler o mundo. "

A partir daí, mergulhei no assunto. 

                                                     “Eu amo flanar”

Assim me vi flanando contigo pelas ruas antigas de uma cidade enigmática e tão contraditória...

E o  Tempo?

Ele nos segue, ou o seguimos , ora veloz, ora sereno...mas nunca parado, daí a vontade imensurável de registrar...

Ele marca percalços, decepções, conquistas, explicações, amores, desamores, retalhos de razões... numa dessas reviravoltas escrevi para ti que o nosso encontro havia sido mágico, e você prontamente respondeu que foi mais que mágico, havia sido histórico!

 A história da vida seguiu e de repente lá estava numa segunda feira desse nosso ano, num quase final de ano, num dia singular, na minha Bahia juvenil, que me faz lembrar um deja vu,“somewhere in time”!

Donde  um impulso a um vinte de novembro foi um pulo, lá estava eu numa estação que tem nome de Santa mais carrega uma Cruz...então fomos “flanando”!

Caminhei contigo pelo centro histórico de maneira desacelerada, o corpo e a mente precisava “flanar”, era um encontro apressado? Não importava, era sim um encontro Simbólico, agora sei que sim!

                    “Eu adoro flanar”

Na correria com você a puxar minha mala, aos tropeços entramos e saímos do trem, percorri ruas antigas, admirei a beleza de portas, janelas, sacadas, quanta história havia em cada canto percorrido, ora olhava os transeuntes, ora você e o entorno, era como se o tempo tivesse parado...

                    "Flanar”

Lá fora a vida corria agitada, aqui dentro os batimentos se acalmavam adentrando uma casa para lá de cinquentenária, com uma energia revolucionária. 

Assim cheguei mais uma vez: 

Curiosa

Atenta

 Vibrante

Tentando viver o instante!

Hoje sei que foi a forma que achei para acalmar o pensamento e a alma...

Afinal estava adentrando seu mundo, um cenário tão diverso e diferente do meu, era como se atravessasse um portal...

Por instantes só existia eu, você e nossas boas lembranças.

A mente aquietou e permitiu que o corpo vibrasse, no contato de pele e desejos, chegamos ao prazer, sua explosão chegou com minha volúpia.

O que veio depois foi perdição, reencontro e despedida.

Sim, para mim mais uma despedida, dessa vez mais leve, sem espera, sem culpa e com coragem, sem dia seguinte, sem o que será que será?

Solamente o gosto do que foi bom, ou não.

Dias depois você me pergunta: Mais dessas virão né?

                                     Que nosso amigo Tempo responda a esse desejo e vontade.

                                     O que sei é que está aqui dentro, para todo e sempre!

Flanei contigo e ganhei um fôlego gigante para os dias de arte, poesia e solidão nessa grande e misteriosa cidade.

Como disse alguém em algum lugar...

                 “Pra mim, flanar é um jeito de me esvaziar. Quando caminho sem pressa, sem plano, começo a notar as pequenas coisas: um cheiro diferente no ar, um tom novo de verde, o som dos insetos. Isso muda meu estado mental. A cabeça desacelera e o corpo encontra um ritmo mais natural.”

 

 

 


 

 

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