,
FLANANDO EM ESSEPÊ
(Parte 1)
Num passado longiquo
um poeta de codinome Baudelaire deu um sopro de arte ao termo “flâner”- vagar
sem destino, o “Flaneur” como o observador da vida moderna. Já o filosofo
alemão Walter Benjamim, escreveu que o “flauner”é alguém que contempla e
decifra sinais que passam despercebidos por quem está apenas se deslocando.
Mais adiante Bartolomeu Campos de
Queirós, escritor mineiro, dizia muito
sobre ‘ler a vida’.
"Você não precisa de um livro para ler. Pode ler o mundo. "
A partir daí, mergulhei no assunto.
“Eu
amo flanar”
Assim me vi flanando contigo pelas ruas antigas de uma
cidade enigmática e tão contraditória...
E o Tempo?
Ele nos segue, ou o seguimos , ora veloz, ora
sereno...mas nunca parado, daí a vontade imensurável de registrar...
Ele marca percalços, decepções, conquistas,
explicações, amores, desamores, retalhos de razões... numa dessas reviravoltas
escrevi para ti que o nosso encontro havia sido mágico, e você prontamente respondeu
que foi mais que mágico, havia sido histórico!
A história da vida seguiu e de repente lá estava numa segunda feira desse nosso ano, num quase final de ano, num dia singular, na minha Bahia juvenil, que me faz lembrar um deja vu,“somewhere in time”!
Donde um
impulso a um vinte de novembro foi um pulo, lá estava eu numa estação que tem
nome de Santa mais carrega uma Cruz...então fomos “flanando”!
Caminhei contigo pelo centro histórico de maneira desacelerada,
o corpo e a mente precisava “flanar”, era um encontro apressado? Não importava,
era sim um encontro Simbólico, agora sei que sim!
“Eu
adoro flanar”
Na correria com você a puxar minha mala, aos tropeços
entramos e saímos do trem, percorri ruas antigas, admirei a beleza de portas,
janelas, sacadas, quanta história havia em cada canto percorrido, ora olhava os
transeuntes, ora você e o entorno, era como se o tempo tivesse parado...
"Flanar”
Lá fora a vida corria agitada, aqui dentro os batimentos se acalmavam adentrando uma casa para lá de cinquentenária, com uma energia revolucionária.
Assim cheguei mais uma vez:
Curiosa
Atenta
Vibrante
Tentando viver o instante!
Hoje sei que foi a forma que achei para acalmar o pensamento
e a alma...
Afinal estava adentrando seu mundo, um cenário tão
diverso e diferente do meu, era como se atravessasse um portal...
Por instantes só existia eu, você e nossas boas
lembranças.
A mente aquietou e permitiu que o corpo vibrasse, no
contato de pele e desejos, chegamos ao prazer, sua explosão chegou com minha
volúpia.
O que veio depois foi perdição, reencontro e
despedida.
Sim, para mim mais uma despedida, dessa vez mais
leve, sem espera, sem culpa e com coragem, sem dia seguinte, sem o que será
que será?
Solamente o gosto do que foi bom, ou não.
Dias depois você me pergunta: Mais dessas virão né?
Que nosso amigo Tempo responda a esse desejo e
vontade.
O que sei é que está aqui dentro, para todo e sempre!
Flanei contigo e ganhei um fôlego gigante para os dias de arte,
poesia e solidão nessa grande e misteriosa cidade.
Como disse alguém em algum lugar...
“Pra mim, flanar é um jeito de me esvaziar. Quando caminho sem
pressa, sem plano, começo a notar as pequenas coisas: um cheiro diferente no
ar, um tom novo de verde, o som dos insetos. Isso muda meu estado mental. A
cabeça desacelera e o corpo encontra um ritmo mais natural.”

.png)